sábado, 24 de setembro de 2016

RUMO À GREVE GERAL PARA BARRAR OS ATAQUES DE MICHEL TEMER CONTRA OS TRABALHADORES E OPRIMIDOS

 

 
 
 














RUMO À GREVE GERAL PARA BARRAR OS ATAQUES DE MICHEL TEMER CONTRA OS TRABALHADORES E OPRIMIDOS

Com uma votação de 61 a 20 no Senado brasileiro, em 31 de agosto de 2016, o longo processo para o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff do Partido dos trabalhadores (PT) chegou ao fim culminando com sua remoção do poder e a posse como presidente de fato o vice Michel Temer do (PMDB.  Temer estava como presidente interIno desde o mês de maio desse ano, quando o senado votou pelo afastamento de Rousseff.

Em sua primeira declaração pública após ser empossado, Temer, declarou que ele já não toleraria ser chamado um golpista (putschist) e insistiu que o governo teria de ser "muito firme" com seus críticos.  
     
Mesmo antes de se tornar presidente de fato, a agenda política e econômica de Michel Temer já era uma virada direita que não se via desde o fim do governo de Fernando Henrique Cardoso. Enquanto o governo de Cardoso se notabilizou por amplos processos de privatizações, o novo governo Temer aponta uma série de ataques aos direitos sociais e democráticos que se forem concretizados significará um retrocesso que remeterá o Brasil para o início do século XX.

Vejamos alguns exemplos desses ataques em forma de projetos de lei, inclusive no sentido de mudar a constituição aprovada em 1988: implantar a jornada de trabalho de 12 horas por dia, somando 72 horas semanais (hoje são 44 semanais), flexibilizar direitos sociais conquistados com luta ao longo do século XX, entre eles o direito de férias de 30 dias, o abono de um salário a mais de final de ano ( o chamado décimo terceiro salário), a licença maternidade, o FGTS-Fundo de Garantia por Tempo de serviço (uma espécie de multa ao empregador ao demitir o empregado), o fim da participação dos lucros aos empregados nas empresas, a eliminação dos concursos públicos e o consequente fim da estabilidade no setor, o fim da progressão na carreira dos funcionários públicos, implantar a idade mínima 65 anos para ter o direito a aposentar, hoje no setor privado essa idade é variável, pois depende de cada caso, e os funcionários públicos têm um regime diferenciado em que é possível aposentar a partir dos 50 anos.

Quanto às políticas de governo para toda a sociedade vejamos as propostas de Michel Temer são em 2010: Privatizar todo o setor energético, incluindo a gigantesca Petrobrás e os poços do Pré-Sal,obviamente é o preço cobrado pelas multinacionais do Petróleo e pelo imperialismo de EUA e Europa por apoiar o golpe de estado. Outro projeto é congelar por 20 anos qualquer investimento na Educação e na Saúde que estiver acima da inflação anterior. Atualmente as leis brasileiras obrigam ao investimento obrigatório por parte do governo nessas áreas, o governo federal e os municípios são obrigados a investir entre 18% e 25% do orçamento na Educação e entre 12% a 15% na saúde. Tal medida, além de tornar pior o que já está ruim em termos de qualidade no atendimento ao público, implicará que todos os funcionários dessas áreas estarão com sério risco de terem também seus salários congelados pelos mesmos 20 anos.

Na política externa, o novo ministro das relações exteriores, ex-senador José Serra, candidato derrotado à presidência pelo partido do PSDB, sob orientação do imperialismo americano, está jogando peso ainda maior da na desestabilização do governo Maduro na Venezuela. Ele anunciou que não aceitaria o governo da Venezuela como próximo presidente do bloco Mercosul por causa de “falta de democracia”. Tal proposta foi aceita essa semana pelos governos de Paraguai e Argentina, com abstenção de Uruguai. A hipocrisia é imensa nesse caso. O parlamento brasileiro, com a ajuda da mídia, do poder judiciário, dos órgãos de repressão como a Polícia Federal deram um golpe institucional, disfarçado de legalidade, roubando os votos de 54 milhões de eleitores, ao mesmo tempo que acusam do governo nacionalista burguês bolivariano por falta de democracia.

Em reunião recente com o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral, o chanceler do governo interino do Brasil, José Serra, tratou da retomada das negociações com os EUA para o uso, por parte dos norte-americanos, da base de lançamento de foguetes de Alcântara, no estado do Maranhão. Devido à proximidade com a linha do equador, o consumo de combustível para o lançamento de satélites em Alcântara é menor em comparação com bases em latitudes maiores. No âmbito do mercado das missões espaciais internacionais, essa base se tornará provavelmente o único concorrente do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Segundo a jornalista Tereza Cruvinel do website Brasil247, houve uma tentativa de acordo do governo do ex-presidente FHC com o governo estadunidense no ano 2000, que “conferia amplos poderes aos EUA e que foi denunciado como entreguista e lesivo à soberania nacional.  Chegando ao governo em 2003, o ex-presidente Lula retirou o acordo do Congresso e deu o assunto por encerrado. A volta do assunto à agenda bilateral, sob o governo Temer e José Serra, preocupa inclusive setores militares que temem novas cláusulas atentatórias à soberania nacional. ”
Logo após tomar posse como presidente de fato, Michel Temer se dirigiu às pressas à reunião do G-20 em Hangzhou na China, e entre outros compromissos um encontro com o presidente chinês Xi Jinping. O processo de impeachment de Dilma Rousseff não foi visto com tranquilidade pelo governo chinês, pois Pequim tinha construído uma boa relação com Brasília durante os governos petistas, inclusive com a criação dos BRICS - grupo de grandes nações emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - e o fortalecimento do G20, ainda no governo Lula. O professor de direito Internacional da Faculdade Fundação Getúlio Vargas, Evandro de Carvalho afirma que "a mudança de governo, tal como está  acontecendo, preocupou o governo chinês e de certo forma impactou nas relações(...) existe uma questão geopolítica, uma apreensão chinesa, para entender bem como vai ser esse novo governo brasileiro na relação com os Estados Unidos. E se isso vai ou não afetar os interesses chineses (...)se os negócios chineses vão ser prejudicados em função do que supostamente eles atribuem a uma proximidade maior do perfil do governo Temer com os Estados Unidos".


O que propõem as lideranças dos movimentos de massa

Muito tempo antes de ter sido consolidado o afastamento de Dilma Rousseff, a Frente Brasil Popular, a Frente Brasil Sem Medo que aglutinam  o MST-Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, O MTST- Movimento dos Trabalhadores  Sem Teto, as centrais sindicais CUT- Central única dos Trabalhadores, a CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil (PCdoB), a UNE- União Nacional dos Estudantes, e  vários partidos chamaram  as massas para grandes mobilizações com milhares de pessoas,  primeiro contra o golpe e  agora contra as medidas de ataques aos trabalhadores e aos movimentos sociais. Mas agora com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff a principal bandeira  é a exigência de    Eleições Diretas Já ( Direct Elections for president now!), com exceção do PCO- Partido da Causa Operária que defende assembleia Constituinte. Nesse contexto, a mobilização de geral no dia 22 de setembro como ensaio de uma futura greve geral foi o dia marcado pelos movimentos sociais para o início de um grande movimento de resistência.

O que defende o CCR

Não só no Brasil, mas em âmbito internacional existe uma ascensão  da direita conservadora, em que inclusive tem  tendências fascistas,  que se manifesta, por exemplo, em ofensivas reacionárias como o golpe de estado militar no Egito; a eleição do governo de Macri de direita na Argentina e o avanço da direita na Venezuela; o golpe de estado militar de 2014 na Tailândia; o golpe no Paraguai em 2012; o aumento da islamofobia e  do racismo contra os migrantes e refugiados na Europa; o crescimento da candidatura de Donald Trump nos EUA, as reformas neoliberais de ataque aos  trabalhadores no México, etc. O Brasil não esteve afastado deste contexto.

As manifestações de junho de 2013 que começaram de forma como uma forma de protesto pela carestia do transporte público, em que os jovens tiveram um papel protagonista, e que sacudiu o país com centenas de milhares nas ruas ao questionar todo o sistema político, tanto à esquerda quanto à direita, pela mesma falta de uma direção revolucionária, acabou sendo dominada pela direita conservadora e por setores fascistas. No dia 21 de junho de 2013, após o anúncio do governo de Estado de São Paulo-PSDB e da prefeitura de São Paulo-PT em que desistiam do aumento das passagens do transporte público, uma vitória conseguida após as gigantescas manifestações anteriores, uma nova manifestação foi convocada para comemorar tal vitória. De repente bandos armados avançaram sobre grupos de manifestantes de esquerda (PCO, PCR, PSTU, PT e outros grupos menores) derrubando e queimando suas bandeiras, atacando-os com spray de pimenta, granadas de efeito moral e tubos de metal, e, finalmente, expulsando-os da marcha. Mas para ficar claro de que esse ataque em São Paulo não foi um acontecimento isolado, mas que foi uma ação organizada pelos bandos fascistas com ajuda de membros raivosos da pequena burguesia, o mesmo aconteceu na cidade do Rio de Janeiro e uma série de outras cidades, indicando uma campanha bem organizada, sem dúvida, coordenado com as polícias militares.

Esse setor de direita começou a orientar direção política dos protestos longe de uma luta pela igualdade social, cantando o slogan "Sem partidos!" e denunciando a corrupção política, os impostos altos e a alta taxa de criminalidade. Pela primeira vez desde o fim da ditadura militar em 1985 os fascistas voltaram explicitamente às ruas.

Tal processo de evolução do conservadorismo reacionário se acelera ao chegar o ano eleitoral de 2014 em que o país estava dividido entre votar na Frente Popular do PT-PMDB e o setor mais identificado com o imperialismo ocidental (EUA-Europa e Japão). Os governos do Partido dos Trabalhadores (Lula da Silva e Dilma Rousseff -2003 a 2016) tentaram se equilibrar entre o imperialismo ocidental e ao mesmo tempo que mantinham acordos comerciais e políticos com o bolivarianismo e os BRICS (União entre Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul). A crise econômica mundial que explode em 2008, que faz cair o preço das commodities (matéria-prima) afeta seriamente o país. A partir daí o acordo que permitiu o ascenso da Frente Popular já não seria mais tolerado pelo imperialismo ocidental e pela burguesia brasileira. Era necessário a essa burguesia se livrar do Partido dos Trabalhadores, em que apesar de ter praticado políticas neoliberais, tais como a reforma da previdência de 2003, de ter feito algumas privatizações, como no setor rodoviário e aeroportos, de ter enviado tropas ao Haiti, de não ter feito a reforma agrária, que insistiu em hospedar a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas gerando muitos milhões de dólares de lucro à burguesia, e outras políticas que se equilibravam entre atender à elite rica e as massas mais miseráveis, mas pela sua própria origem proletária,  o PT não teria condições de ir tão à fundo nos ataques que agora faz o governo golpista de Michel Temer.  As manifestações a favor do impeachment no ano de 2015, incentivadas pelas redes de televisão (principalmente a poderosa rede Globo) eram profundamente reacionárias e anti-operárias, com fortes tendências fascistas, inclusive propondo a volta dos militares ao poder. Não houve um golpe militar clássico como nos anos 60 e 70, mas o afastamento do PT do poder, da forma que foi organizado e as duras medidas de ataques aos trabalhadores se configura como um verdadeiro golpe de Estado.


Nós do CCR acreditamos que eleições diretas para presidente, ou mesmo eleições gerais abrangendo o congresso nacional são uma armadilha no campo eleitoral. As direções dos movimentos de massa, apesar de denunciarem que houve um golpe de estado, na prática ainda confiam que estamos num processo democrático. Todas as eleições dentro da democracia burguesa são uma farsa em sua essência, mas a farsa fica pior e mais evidente quando tais eleições estão totalmente controladas pela burguesia num momento de ascenso das agendas conservadoras como testemunhamos hoje e inserido num golpe de estado.  É nesse contexto que rejeitamos a bandeira de “eleições diretas já! ” e ao mesmo tempo propomos que é necessário avançar as mobilizações de resistência contra o golpe hoje concretizado no governo Temer e consequentemente contra os ataques aos trabalhadores e oprimidos. É necessário a criação de comitês de bairros e das fábricas para lutar contra o golpe, organizar mobilizações de massa, organizar a greve geral contra as medidas de ataque do novo governo. Por tudo isso, uma verdadeira resistência contra o golpe deve levar em consideração a necessidade de romper com essas velhas lideranças que nos levaram com suas políticas de conciliação com a burguesia ao atual desastre político que resultou num golpe de estado. É necessário a construção de um verdadeiro e revolucionário movimento controlado pelos próprios trabalhadores de base e pelos oprimidos, junto com a juventude e as mulheres. E nesse processo de ampla mobilização chamar a Assembleia Nacional Constituinte, chamada e eleita pelos próprios trabalhadores, com a agenda dos trabalhadores.

Além disso, a CCR defende que classe trabalhadora e os oprimidos rompam com a frente popular. Então chamamos a CUT, o MST e MTST e todas outras organizações de massa da classe trabalhadora e dos oprimidos a romper todas as alianças com forças burguesas. Do mesmo modo, chamamos o PT e o PCdoB a romperem suas alianças e blocos eleitorais com forças abertamente burguesas (setores do PMDB-PSDB e outros) e que saiam sozinhos nestas eleições.
 Tal aplicação da frente única leva em conta que estas organizações populares e de trabalhadores ainda reúnem setores de classe consciente em suas bases. O objetivo estratégico de tal tática da frente única  é o romper a subordinação dos trabalhadores e oprimidos com a burguesia e ao mesmo tempo para avançar a para esses setores do proletariado romperem com a burocracia reformista que infelizmente ainda domina os sindicatos e outras organizações populares. Assim os trabalhadores avançados serão capazes de construir um verdadeiro partido revolucionário de trabalhadores como uma alternativa para o PT, cuja liderança é completamente corrupta e vinculada à classe capitalista.

* Pela construção da mobilização e resistência autônoma dos trabalhadores e pela convocação da Assembleia Nacional Constituinte!

* Por uma greve geral contra o regime dos golpistas! Por mobilizações de massa contra a ofensiva pró-austeridade da extrema-direita! Pela a criação de comitês de ação nas fábricas, sindicatos, bairros, favelas e regiões periféricas em defesa dos nossos direitos e contra o governo dos golpistas!

* Para uma conferência nacional de delegados de todas as organizações de massas anti-golpistas para discutir e adoptar um plano contra o novo regime!


* Para um governo da classe operária em aliança com os camponeses pobres urbanos e os sem-terra! Nós só podemos garantir o nosso futuro e nossos direitos se derrubarmos o capitalismo, a fonte de nossa miséria!

* Por um partido operário revolucionário- um novo partido mundial da revolução socialista!


https://www.brasildefato.com.br/node/13305/

http://www.viomundo.com.br/politica/na-paulista-defensores-de-democracia-sem-partidos-atacam-militantes-de-esquerda-e-queimam-bandeiras-vermelhas.html

Tereza Cruvinel e a Base de Alcântara
http://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/245941/Brasil-e-Estados-Unidos-podem-reativar-acordo-sobre-a-Base-de-Alc%C3%A2ntara.htm

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/greve-geral-golpistas/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-governo-temer/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-apos-impeachment/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-apos-impeachment/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/declaracao-golpe/

http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/prisao-de-lula/





domingo, 28 de agosto de 2016

As semelhanças entre o golpe de 2016 no Brasil e o golpe nazista em 1933/ Flávio Aguiar, Carta Maior



As semelhanças entre o golpe de 2016 no Brasil e o golpe nazista em 1933

Hitler deu um golpe inteiramente "legal" em 1933, através de uma votação no Parlamento, com o apoio da classe média alta. Naqueles idos, na Alemanha, rasgou-se a Constituição "legalmente". Se olharmos os métodos do Brasil em 2016, como se parecem muito ao processo que ocorre no Brasil em 2016.

Flávio Aguiar, Carta Maior

Muito se tem escrito, contra e a favor, sobre semelhanças e diferenças entre o golpe nazista de 1933 e o que hoje está em curso no Brasil.
Bom, vamos começar por alguns personagens principais. Ninguém de bom senso vai comparar o tacanho e tragicômico Michel Temer com o trágico e sinistro Adolf Hitler. Nem um nem outro merecem tanto. Aquele, “do lar”, este, bem, também era “do lar”, abstêmio, vegetariano, fiel pelo que se sabe, mas, de qualquer modo e por exemplo, os penteados eram completamente diferentes. Além disto, Hitler ficou no poder durante doze anos, de 33 a 45, digamos. Temer não ficará tanto. No Inferno de Dante Hitler estaria na boca de Lúcifer, mascado com os grandes traidores da história. Onde estará Temer? Provavelmente na porta do Inferno. Nem lá ele será admitido. Na porta, sem direito nem a meia-entrada, estão os que carecem até mesmo de um forte caráter pecador. Para alegria dos pós-modernos, estão no não-lugar universal e eterno.
Também ninguém vai comparar o grotesco Cunha ao também grotesco Göring, que foi quem presidiu a sessão do Reichstag que começou o golpe de estado nazista em 23 de março de 1933. Se estivessem num romance de Dostoyevski, ambos seriam qualificados como psicopatas. Mas não esteve um, nem está o outro. Vamos aguardar para ver como a história qualificará o mais recente deles. Boa coisa não será.
Agora, se olharmos os métodos, como se parecem!
Em primeiro lugar, Hitler deu aquilo que a revista alemã qualificou, em relação ao Brasil, um “kalter Putsch”, um “golpe frio”, ou “branco”, na nossa tradição. Foi um golpe inteiramente “legal”, através de uma votação no Bundestag, o Parlamento, depois confirmado pelo Bundesrat, que equivaleria ao nosso Senado (como deve acontecer), assinado pelo presidente von Hindenburg, e largamente deixado correr ou apoiado pelo Judiciário.
O golpe ganhou o nome histórico de “Ermächtigungsgesetz”, que poderia ser traduzido por “Lei de Empoderamento”. Era muito breve, como o nosso Ato 5: tinha um preâmbulo de algumas linhas e cinco artigos. Em essência, dizia que o Gabinete Executivo – presidido por Hitler – tinha poderes para decretar leis sem aprova-las no Parlamento, e que estas leis estariam acima da Constituição, que não poderia ser invocada para contestá-las. Dizia que a exceção se referia ao Bundestag e ao Bundesrat, coisa que, evidentemente, foi desrespeitada depois. Ou seja, como hoje no Brasil, rasgava-se a Constituição “legalmente”, e abria-se o período de exceção, diante de uma pequena burguesia (hoje diríamos alta classe média) gessificada pelo medo da ascenção dos “debaixo”. Mas tanto lá como hoje, nesta classe média isto não era unânime, diga-se de passagem. Por isto a repressão que se seguiu foi generalizada. E hoje, não será?
Mas houve também o processo de votação. Como o nosso presidente da Câmara, Göring se dedicou a criar regras próprias para a votação. Depois do incêndio do Reichstag, no final de fevereiro de 1933, Hitler desejou que na nova votação que haveria no começo de março ele tivesse assegurada uma maioria absoluta no Bundestag. Isto não aconteceu. O Partido Nacional-Socialista precisava ainda do apoio de partidos de coalizão (basicamente o Partido do Centro, católico – parecido com os evangélicos de hoje – e o Partido Nacional do Povo Alemão, coligado com os nazistas. Por isto os nazis decidiram adotar o caminho da Lei do Empoderamento, para prescindirem deste apoio futuramente. E os outros morderam a isca.
Mas houve mais. A Constituição alemã previa que para uma votação destas, que a modificava, era necessária a presença de dois terços dos deputados, ou seja, 432 dos 584 membros. Para vencer esta dificuldade, Göring inventou uma nova conta. Como os comunistas tinham sido acusados pelo recente incêndio do prédio do Reichstag (o Parlmento se reunia num teatro, a Casa da Ópera Kroll), os deputados do KDP (Kommunist Deutsche Partei) tinham sido presos, banidos, ou estavam foragidos. Assim Góring simplesmente descontou os 81 que eles eram da soma geral, e o quorum ficou reduzido a 378. Boa matemática, não?
Além disto, Göring abriu as portas do Parlamento aos Nazisturmabtellung, os SA, Camisas-Pardas (que depois seriam sacrificados para ratificar o poder dos SS). Hoje, no Brasil, não há SA, mas há as tratativas entre a presidência da Câmara e a Rede Globo, fazendo a votação no domingo, com esta mudando horários de jogos… enfim, cada momento tem a SA que pode e merece.
O processo de votação foi uma farsa. Estaremos falando de 1933 ou de 2016? Tanto faz. Aquele não foi transmitido pela TV, porque TV não havia, pelo menos na escala de hoje. O de hoje foi, para vergonha dos deputados perante o mundo inteiro. Vários deputados do SPD tinham sido presos, ou já haviam fugido para o exterior. Mas o inventivo Göring criou uma nova cláusula, ad hoc: deputados que não comparecessem, mas que não tivessem apresentado uma justificativa por escrito, deviam ser contados como presentes, para para garantir o quorum. (Lembram da alegação de um um deputado pró-impeachment que os deputados ausentes teriam de apresentar atestado médico?).
Bom, na sessão, apenas o líder do que restava do SPD, Otto Wels, que terminaria morrendo exilado na França antes da ocupação, falou contra a nova Lei. Os outros discursos foram acachapantemente ridículos (alguma coincidência será mera semelhança?). Bom, ninguém invocou a mãezinha ou o vizinho, mas saíram coisas como a Pátria e a Ordem. Resultado: 444 a favor da nova lei, 94 contra, todos estes do SPD.
Um detalhe muito interessante: Hitler negociara com Ludwig Kaas, o líder católico, que respeitaria o direito da Igreja e os funcionários católicos nos cargos de Estado, além das escolas. No dia seguinte ao da votação, que foi logo aprovada no Bundesrat e assinada por Hindenburg, Ludwig Kaas foi despachado para o Vaticano para explicar a nova situação ao então Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de triste memória (alguma semelhança com a viagem do ex-companheiro Mateus, hoje senador Aloysio Nunes Ferreira, despachado aos States logo depois da votação na Câmara?) Ele cumpriu a missão religiosamente, como o Mateus. Porém, Hitler lhe prometera (a Kaas) uma carta com as garantias. Ela nunca foi entregue.
Satisfeitas e satisfeitos? É, mas tem mais…

Porque ainda resta o triste papel do Judiciário. Em primeiro lugar, juízes alemães legalizaram a perseguição aos comunistas porque eram “traidores” incendiários do Reichstag. Depois, fizeram vista grossa para as demais perseguições que vieram. Quando não apoiaram. Deve-se lembrar que quem inaugurou a queima de livros em 10 de maio de 1933, na hoje Bebelplatz, foi o diretor da Faculdade de Direito, ao lado, trazendo uma braçada de livros “degenerados” da sua biblioteca.
Hitler acusou um comunista holandês, Marinus Van der Lubbe, e mais quatro outros militantes búlgaros pelo incêndio, que ocorreu em fevereiro de 1933, alguns dias antes da eleição de março. Eles foram levados a julgamento no segundo semestre de 1933. Lubbe foi réu confesso – sabe-se lá como sua confissão foi obtida, mas pode-se julgar pela declaração em juízo de um dos outros acusados, Georgi Dimitrov, de que passara sete meses acorrentado em sua cela, dia e noite. Bem, a gente pode pensar numa justificativa: naquela época não havia delação premiada… Era pancadaria mesmo. Os outros quatro foram absolvidos por falta de provas, mas Lubbe foi condenado à morte e executado no começo de 1934.
Farsa? Sim, mas o pior vem depois.

Em 1967 um juiz da Alemanha Ocidental, na reabertura do processo promovida pelo irmão do condenado, Jan, “comutou” a pena de van der Lubbe de condenação à morte para 8 anos de prisão (!), quando o réu já estava, bem, digamos, no outro mundo. Em 1980, novo julgamento anulou a decisão de 1933 e de 1967. Mas em 1983 nova decisão anulou a de 1980, a pedido do… Ministério Público (!). O caso só foi resolvido definitivamente em 06 de dezembro de 2007 (!), 71 anos depois da decisão original, quando o equivalente ao nosso Promotor Geral da República proclamou “o perdão” de van der Lubbe, com base em uma lei de 1998 que declarara todas os julgamentos da época do nazismo juridicamente nulos.
Até hoje as alegações de que o incêndio foi provocado pelos próprios nazistas para começar sua série interminável de desmandos nunca foi oficialmente investigada. É um bom exemplo para quem acha que o caso das omissões e vagarosidade do Judiciário brasileiro é algo único na história.
Depois deste exercício de história comparada, que as leitoras e os leitores tirem suas próprias conclusões.

domingo, 21 de agosto de 2016

CORRENTE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA -CCR NAS ELEIÇÕES NO BRASIL 2016

CORRENTE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA -CCR NAS ELEIÇÕES NO BRASIL 2016

VAMOS ÀS ELEIÇÕES COM O PCO, CONTRA O GOLPE E PELAS REIVINDICAÇÕES DOS TRABALHADORES

A CCR está lançando o companheiro Prof. JOAO EVANGELISTA como candidato à vice-prefeito nas eleições municipais da cidade de Diadema. A nossa candidatura está abrigada no Partido de Causa Operária-PCO 29, tendo o militante do PCO, VANDIVAL FERREIRA DOS SANTOS, operário da construção civil como cabeça de chapa, candidato à prefeito, TENDO COMO OBJETIVO PRINCIPAL DE NOSSA CAMPANHA A LUTA CONTRA O GOLPE DE ESTADO E A DENUNCIA DA FARSA DAS ELEIÇÕES ATUAIS.
Em que pese as diferenças que temos com O PCO, principalmente no que concerne à algumas caracterizações da luta de classes, como por exemplo em âmbito mundial em que nós do CCR consideramos Russia e China como países imperialistas em oposição ao imperialismo tradicional de EUA-UE e Japão, porém junto com o PCO temos a mesma análise sobre os processos de golpe de Estado acontecidos patrocinados pelo imperialismo americano desde Honduras, Paraguai, Tailândia, Egito, Ucrânia e Turquia, passando pela tentativa de derrubada do governo de venezuela, as eleições fraudulentas que levaram à vitória de Macri na Argentina e finalmente o Brasil.
O PCO exercendo democracia operária abre as candidaturas às várias correntes e aqrupamentos revolucionários menores que ainda não tem condições de regularização partidária no Brasil. Isso se explica pelas condições burocráticaspara a criação oficial de um partido no páis são extremamente difíceis.
Além disso, nós do CCR, junto com o PCO, temos acordo fundamental em âmbito nacional quanto à caracterização de que o que está em curso no Brasil é um verdadeiro golpe de Estado e que é necessário juntar forças para não só derrubar o golpe, como mobilizar a classe trabalhadora contra os ataques neoliberais do governo golpista de Michel Temer , assim como de qualquer governo que venha a se estabelecer nesse momento de golpe institucional.
Nesse sentido, mesmo que o governo de Dilma Roussef volte ao poder, o que tudo indica é quase impossível, nós como classe operária temos que ter total independência de classe na luta contra os chamados ajustes, ou seja, as reformas trabalhistas, reforma da previdência, os cortes orçamentários na saúde, educação, habitação, a privatização das riquezas nacionais como a Petrobrás e o Pré-sal, congelamento por 20 anos nos invbestimentos em saúde e educação.etc. Tal resistência passa necessariamente pelo chamado à greve geral dos trabalhadores contra esses ataques.
A repressão bonapartista aos movimentos sociais, aos partidos de esquerda e a tudo que se assemelha a bandeiras progressistas está cada vez mais evidente no país. Os jogos olímpicos foram um exemplo muito claro. Vários cidadãos que gritaram “Fora Temer!” ou “Abaixo o Golpe!” foram sumariamente expulsos dos estádios. O ex-presidente Lula da Silva está ameaçado de prisão, militantes do MST e dos Movimentos sem-teto estão sendo presos ou ameaçados de prisão com base na lei anti-terrorismo, ironicamente uma lei aprovada há meses pela mesma presidente Dilma Roussef do PT afastada e sofrendo processo de impeachment.
A juventude dos bairros pobres da periferia, principalmente os afro-descendentes, continua sendo massacrada. Assim como nas redes sociais se demonstra forte intolerância contra os negros, contra os direitos do LGBT, aumenta o machismo se traduzindo na violência contra as mulheres, as comunidades indígenas se vêem ameaçadas de perder suas terras pelo latifúndio e o agronegócio. Em resumo é necessário uma ampla resistência e organização das classes pobres e oprimidas contra a exploração do sistema capitalista e da burguesia.
A nossa candidadura, além de servir para denunciar o golpe de estado, vêm alertar que nenhuma eleição dentro do sistema capitalista pode ser solução para os verdadeiros problemas da classe trabalhadora. Tudo não passa de uma falsa democracia. Somente a nossa organização e mobilização poderá levar à independência da classe trabalhadora contra seus exploradores: a burguesia. Não podemos ter nenhuma confiança no processo eleitoral, principalmente neste momento em que um golpe de estado através do parlamento, com apoio do judiciário e da mídia capitalista detém total controle das eleições.
CHAMAMOS OS COMPANHEIROS A SE SOMAREM À NOSSA CAMPANHA DE LUTA, A VOTAREM 29, CONTRA O GOLPE E NA DEFESA DAS REIVINDICAÇÕES DOS TRABALHADORES E DE TODOS EXPLORADOS. PROF..JOAO EVANGELISTA CANDIDATO A VICE-PREFEITO DE DIADEMA, COM VANDIVAL PREFEITO - 29 .


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Turquia após o fracassado golpe: Defender os direitos democráticos!

Turquia após o fracassado golpe: Defender os direitos democráticos!
Declaração conjunta da Dördüncü Blok (Turquia) e Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI/DKUE), 16/7/2016 (21h30 horas local da Turquia), http://www.thecommunists.net/ e http://dorduncublok.blogspot.com
1. Após a tentativa de golpe por parte do exército turco ter sido derrotada nas ruas de Istambul, os revolucionários devem permanecer alertas. Não devemos permitir que esta tentativa fracassada de golpe de Estado seja usada pelo reacionário governo Erdoğan para diminuir ainda mais os direitos democráticos. No entanto, esta tentativa de golpe não foi um teatro político inventado por Erdoğan para justificar ainda mais o enfraquecimento dos direitos democráticos, foi uma tentativa bastante real que foi interrompida com o sangue das massas.
2. Parece que quase todas as grandes potências estavam dispostas apoiar um golpe bem-sucedido. Não disseram nada negativo sobre o golpe até que ficou claro que ele tinha sido derrotado nas ruas. Após o golpe elas tiveram que falar contra ele, porque elas ainda querem ter influência sobre o governo Turco. O fato de que o Exército Sírio leal a Assad ter aplaudido a tentativa de golpe de estado na Turquia demonstra mais uma vez a natureza reacionária do regime de Assad.
3. Salientamos que a nossa posição no documento que emitimos enquanto a tentativa de golpe de estado ainda estava acontecendo é absolutamente correta. Durante a noite entre 15 e 16 de julho, afirmamos: "A fim de derrotar o golpe militar precisamos de ações de massa dos trabalhadores e dos pobres! (…) eles colocaram os soldados em nossas ruas e bairros, vamos mostrar a eles que foi um grande erro!" (Veja a declaração do CCRI e DKUE: Turquia: derrotar o golpe nas ruas! Nenhum apoio político para o AKP/Erdogan! Mas o principal inimigo é o comando do exército, apoiados pelas grandes potências! http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/derrotar-golpe-turquia/) isto é exatamente o que aconteceu. O golpe foi derrotado pelas massas da população urbana pobre de Istambul e Ancara. Enquanto muitos daqueles que tomaram as ruas são adeptos de Erdoğan e muitos tiveram motivação religiosa precisamos afirmar categoricamente: eles estavam no lado correto das barricadas e em sua heroica oposição ao golpe de estado, estávamos juntamente com eles.
4. O fato de que as esquerdas turcas não tiveram nenhum papel nesta luta de massa reflete meramente sua fraqueza e sectarismo. Isto poderia ter sido a oportunidade perfeita para as esquerdas turcas ganharem a confiança de um setor das massas dos trabalhadores religiosos turcos que seguem o AKP. Nós poderíamos ter mostrado a eles que, embora tenhamos divergências políticas, também defendemos os seus direitos e suas vidas contra os ataques reacionários. Os acontecimentos em Istambul demonstram a importância de construir um verdadeiro partido revolucionário que seja capaz de intervir em tais lutas ao lado de trabalhadores politicamente atrasados e mostrar a eles, na prática, que eles podem confiar em nós.
5. As esquerdas turcas poderiam ter usado esta oportunidade para tomar o controle de pelo menos alguns distritos em Istambul e outras partes do país. Poderiam tomar as ruas sob o lema "Abaixo o golpe de estado – mas nenhum apoio político para Erdoğan!" E teriam tido pelo menos uma influência limitada junto às massas em revolta. Ela poderia ter assegurado que, pelo menos em partes do país, o resultado da revolta de massas teria levado à autodeterminação para alguns bairros. Isso teria sido um sinal importante para as massas da Turquia sobre como proceder. Mas sem surpresas, o sectarismo da esquerda levou-os a declarar que os revolucionários deveriam ficar em casa enquanto as massas lutavam nas ruas. Este é o caminho para "não sujar as mãos", esperando por um movimento revolucionário "puro" (que nunca chega) e ficar isolado.
6. Nós chamamos pelos comitês populares que devem monitorar o exército e especialmente os oficiais que não são leais a vontade das massas populares. Todos aqueles que participaram no golpe ou estiveram envolvidos em crimes de guerra no Curdistão devem ser trazidos aos tribunais populares. A massa do povo tem que limpar o exército de todos aqueles que estão dispostos a levantar armas contra eles. Propomos que todas as passagens na Constituição turca e das leis que permitem ao exército a intervir contra seu próprio povo sejam excluídas; da mesma forma, a opção de declarar lei marcial também deve ser eliminada. No entanto, também devemos deixar inequivocamente claro dizendo aos trabalhadores e oprimidos que nenhum pedaço de papel os protegerá contra o exército e a polícia, apenas sua própria força, sua organização e sua vontade de lutar.
7. Ao mesmo tempo, somos contra o esforço do governo Erdoğan em reforçar a polícia, às custas do exército. A promulgação desta política de modo algum assegurará que não haverá nenhuma ditadura na Turquia, mas apenas estará a assegurar que não será conduzido pelo exército. A estratégia de fortalecer a polícia de Erdogan foi concebida para garantir que ele será capaz de permanecer no poder e construir o seu estado presidencial- policial- ditatorial. Os trabalhadores e as massas do povo não devem ter confiança na polícia, que têm sido usada para reprimir manifestações tantas vezes no passado, e que está pronta para atacar contra as massas mais uma vez na hora em que forem chamados. Somente os trabalhadores e milícias populares que são verdadeiramente fiéis às massas do povo, eleitos nos locais de trabalho e bairros, é que irão garantir que as forças armadas encontrarão oposição forte, se elas tentarem atacar seu próprio povo. Tais milícias irão garantir que os pobres e os nossos irmãos e irmãs curdos estão protegidos. 
8. A parte do exército que declarou guerra às massas do povo, tiveram seus tanques invadidos e estando cercados foram forçados a capitular. Da mesma forma, precisamos lutar contra a guerra que foi declarada contra o povo curdo, com a ocupação de suas cidades, as inúmeras prisões e assassinatos. Precisamos ganhar apoio entre os trabalhadores turcos e pobres para forçar o mesmo exército que lhes atacou a retirar as suas forças das áreas curdas da Turquia e para terminar as suas operações militares e assassinatos contra os nossos irmãos e irmãs curdos. Os acontecimentos deste dia passado mostraram que as massas curdas e turcas partilham o mesmo inimigo: o antidemocrático exército turco! Agora é o momento decisivo dos trabalhadores turcos serem afastados da influência reacionária do AKP. Mas isso não pode simplesmente ser feito por uma sectária denúncia do AKP, como fazem os estalinistas, mas em defendê-los contra os ataques reacionários e pedagogicamente explicando-lhes os seus verdadeiros interesses. Ao mesmo tempo, temos de lutar contra todas as medidas reacionárias do governo Erdoğan e politicamente criticar o islamismo burguês. 
9. Uma bandeira central para os Revolucionários na Turquia agora é "Por uma Assembleia Constituinte Revolucionária!" Vamos lutar por uma assembleia constituinte que seja baseada em comissões eleitas em assembleias de massa nos bairros e locais de trabalho. Precisamos lutar contra todos os ataques reacionários aos direitos democráticos e nos esforçarmos para a formação do poder real para os trabalhadores e os pobres! 
10. A tarefa central continua a ser o construir um partido autenticamente revolucionário na Turquia. É imperativo que esse partido também seja capaz de influenciar politicamente os trabalhadores religiosos, ao mesmo tempo não dando qualquer apoio político ao islamismo. Esse partido vai defender as massas do povo, em particular os curdos e todas as outras minorias nacionais, contra toda a injustiça, não importa se forem por parte dos generais kemalistas, do estado policial de Erdoğan ou das empresas multinacionais! Pela formação de partidos revolucionários em todos os países, e pelo seu fortalecimento nas próximas lutas pela frente! Por uma revolucionária 5ª Internacional!

sábado, 9 de julho de 2016

Carta aberta aos membros e simpatizantes Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional, LIT-QI)

Após a divisão do PSTU / LIT-QI: Que lições podem ser tiradas?
Carta aberta aos membros e simpatizantes Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional, LIT-QI)
Emitido pelo Secretariado Internacional da Corrente Comunista Revolucionária Internacional-CCRI e pela Corrente Comunista Revolucionária-CCR (Seção no Brasil do CCRI), 11/07/2016, www.thecommunists.net

Caros companheiros da LIT-QI,

Sem dúvida, o rompimento no PSTU - a maior seção da LIT - é um evento importante. É importante não só porque envolveu quase metade dos membros da seção brasileira, mas também porque isso reflete problemas fundamentais desta organização.

Como devem estar ciente, a causa direta para o rompimento foi a vergonhosa posição neutra abstencionista da maioria PSTU quando a grande burguesia no Brasil - com a ajuda do Poder Judiciário do Estado, da mídia privada, assim como da neoliberal oposição de direita - derrubou o governo de Frente Popular de Dilma Rousseff com um golpe institucional. Mesmo hoje em dia a liderança PSTU recusa-se a uma frente única com as organizações de massa reformistas FBP, FPSM, CUT, MST, MTST etc., a fim de mobilizar contra o governo de direita, neoliberal de Michel Temer!

Ao mesmo tempo, a liderança PSTU combina tal sectarismo Terceiro Campista com a convocação arqui-oportunista por ... uma greve geral para novas eleições gerais parlamentares! Qual seria o resultado dessas eleições gerais? Um reforço dos partidos de direita? A consolidação do PT? Como podem revolucionários orientar a vanguarda da classe trabalhadora para uma tal manobra eleitoral parlamentar que só faria estabilizar o regime capitalista?!

A minoria do PSTU, que agora rompeu, parece ter criticado esta política e nisto eles certamente estavam corretos!

A CCRI e sua seção no Brasil caracterizam posição abstencionista da liderança do PSTU como uma completa traição ao movimento operário. Com certeza, os revolucionários não poderiam dar qualquer apoio político ao governo da Frente Popular liderado pelo reformista PT. O PT fez uma coalizão reacionária com o abertamente burguês PMDB e se acomodou à burguesia tendo iniciado reformas neoliberais. Mas este não foi o motivo pelo qual o PMDB deixou a coalizão e não foi o motivo pelo qual a grande burguesia unificada derrubou o governo através de um golpe institucionalizado. A razão estava relacionada com que o governo da Frente Popular não foi longe o suficiente com a sua adaptação ao neoliberalismo. Ele foi impedido em ir mais longe por causa de sua base social, ou seja, o fato do PT ter como base de apoio os sindicatos, as organizações camponesas, as organizações dos pobres urbanos etc. É por causa desta base que a liderança do governo PT foi forçada a introduzir programas sociais como o Bolsa Família.

A grande burguesia - com o apoio do imperialismo norte-americano - instigou o golpe porque ela queria impor um governo de direita que não tivese limitações de sua base para implementar um ataque neoliberal completo sobre a classe trabalhadora e os pobres. Esta é a principal razão pela qual as organizações de massas reformistas da classe trabalhadora e dos pobres estão mobilizados contra o golpe. Esta é a principal razão pela qual eles estão se mobilizando agora contra o governo Temer.

Por essa razão o golpe institucional foi um ataque contra as massas populares. Os Revolucionários tiveram que entender isso e chamar por uma frente única contra os golpistas com as organizações de massa reformistas. Eles tiveram que participar das manifestações de massa anti-golpista, sem dar qualquer apoio político para o governo de Dilma Rousseff. Eles tiveram que combinar a luta contra o golpe com uma perspectiva de fazer com que a classe trabalhadora e suas organizações rompessem com a Frente Popular e para construir um forte partido revolucionário. Esta foi a política do CCRI e sua seção no Brasil que tentamos implementar o melhor possível com as nossas limitadas forças. [1]

Camaradas da LIT: Uma organização como o PSTU, que afirma representar a vanguarda, falha completamente em dar às massas populares qualquer direção se é incapaz de diferenciar entre a Frente Popular e os golpistas, entre Kerensky e Kornilov, entre Negrin e Franco .

A política da liderança PSTU aparece como ultra-esquerda, mas na verdade, era principalmente uma adaptação aos preconceitos reacionários da classe média liberal que despreza o PT por ter apoio entre os trabalhadores supostamente "ignorantes" e pobres.

Camaradas, muitos de vocês podem concordar mais ou menos com a nossa crítica à política do PSTU durante o golpe. Mas pode ser que você ache que isso foi simplesmente um erro. Nós afirmamos: Não, isto não foi um erro isolado, mas o resultado de um método político errado.

Vejam a posição vergonhosa que a liderança LIT tomou durante o golpe militar no Egito ou com as mobilizações imperialistas pró-ocidentais na Ucrânia contra o governo Yanukovych, com a participação significativa de forças fascistas. No Egito, a liderança da LIT saudou o sangrento golpe do general, Sisi em 03 de julho, de 2013 como uma expressão do processo revolucionário em curso no Egito! Que escandalosa caracterização para um golpe de Estado em que a velha guarda de Mubarak - com o apoio de todas as grandes potências (por exemplo, EUA, UE, Rússia, China) - assumiu o poder, massacraram milhares de pessoas e aboliu os direitos democráticos que as massas conquistaram em 2011! O CCRI e seus camaradas no Oriente Médio se opuseram ao golpe militar desde o início e chamaram por uma frente única das organizações da classe operária e das pessoas (incluindo organizações de massa islâmicas) para resistir aos golpistas assassinos. [2]

Na Ucrânia, a liderança da LIT saudou a insurreição liderada pelo fascista setor direito (com o apoio do imperialismo norte-americano) no final de fevereiro 2014 como uma "revolução democrática". Certamente, os revolucionários não poderiam defender o governo Yanukovych, que foi um lacaio do imperialismo russo. Mas, apoiar as mobilizações reacionárias que foram iniciadas e controladas pelos imperialistas dos EUA e da UE e pelos partidos da oposição de direita e fascistas, desde o início até o fim, não é senão uma completa zombaria do marxismo! [3]

Camaradas da LIT: Como pôde tudo isso acontecer? São essas traições erros isolados? Não, se uma liderança falha repetidamente em grandes eventos da luta de classes internacional nos últimos anos, isso não é acidente; isso reflete sim um terrível método errado!

Este repetidas falhas estão relacionadas com o método da LIT que podemos caracterizar como "objetivismo fatalista" e "processo oportunista". A liderança da LIT acredita que o "processo objetivo" vai empurrar inevitável todas as mobilizações e movimentos políticos em uma direção progressista - independentemente da sua liderança, de sua composição de classe social e da sua relação de forças. Este método é justificado com referências à crise do capitalismo e a necessidade objetiva para a revolução socialista. Trotsky caracteriza este método como "objetivismo fatalista". Na verdade, a liderança da LIT ignora completamente as forças vivas da luta de classes e "a importância da atividade revolucionária com consciência de classe na história" (Trotsky). As frases da LIT sobre o "processo revolucionário" escondem uma adaptação oportunista em direção à classe média liberal.

Sim, o capitalismo enfrenta uma crise histórica e estamos vivendo em um período histórico onde a revolução socialista está na agenda. No entanto, o capitalismo em decadência, infelizmente, não só conhece a revolução socialista como uma saída, mas também conhece a barbárie. De fato, em um período tão histórico de crise capitalista, a partir do momento que se abriu a partir 2008, tanto a luta de classes dos trabalhadores e dos oprimidos, bem como os ataques das forças reacionárias estão se acelerando!

Em tal período é crucial para os revolucionários combinarem um programa de transição para trabalhar a independência de classe e para a revolução socialista com uma política concreta da tática da frente única. Essa política leva em conta a dinâmica concreta da luta de classes; que diferencia entre os agressores diretos imediatos contra a classe operária e os oprimidos e entre os podres reformistas e traidores populistas que se situam no topo das organizações populares de massa. Tal política marxista é apta a denunciar os reformistas e lideranças populistas e, ao mesmo tempo, aplicar a tática da frente única, que chama a base destas organizações de massa para as ações conjuntas (assim como colocar exigências para as suas lideranças nessas ações unificadas).

Tal política, - até mesmo com uma propaganda consistente e agitação - exige a existência de uma organização revolucionária autêntica. Tal organização não deve sucumbir em alianças estratégicas com as forças reformistas ou centristas (como o PSOL no Brasil). Isso seria apenas uma outra forma de oportunismo - oportunismo na construção do partido. Não, essa organização deve lutar por um programa revolucionário e para trabalhar a independência de classe. Deve esforçar-se para construir o partido revolucionário como a mais alta forma de organização da consciência de classe proletária. Ela deve lutar para construir o partido revolucionário como a mais elevada forma de consciência de classe operária. Ela deve manter a vanguarda consciente do caráter revolucionário do presente período histórico e da luta contra todas as formas de pessimismo pequeno-burguês (como aquele que supostamente estamos vivendo em um período caracterizado pelo colapso do stalinismo e por uma regressão na consciência de classe).

Ao mesmo tempo, uma tal organização revolucionária deve intervir na luta de classes, com uma avaliação correta das diferentes forças de classe e deve implementar a tática da frente única para as organizações de massas que, infelizmente, ainda reúnem a maioria dos trabalhadores com consciência de classe e oprimidos. Esta é a única maneira de fazer com que os trabalhadores e oprimidos rompam com suas direções reformistas traidoras!

Tememos que os companheiros que romperam com PSTU não compreenderam suficientemente as falhas metodológicas da LIT. Eles escreveram em sua declaração pública: Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionária agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. (...) Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante. Nós perguntamos aos camaradas: Se o PSTU é uma organização revolucionária e a única diferença é tática, por que romper? De fato, os camaradas provavelmente sintam que os problemas políticos são mais profundos, mas não chegaram à conclusões políticas da sua ruptura organizacional.

A CCRI está construindo uma organização deste tipo. Apelamos a todos os companheiros da LIT – para sua maioria, bem como para sua minoria - a reconsiderar o método de suas lideranças e entrem em discussão e colaboração conosco! Camaradas, agora é a hora de tirar as lições certas das lutas passadas e em conjunto para construir um partido revolucionário mundial lutando pela revolução socialista!



(1) Para nossas análises sobre a Brasil, nos referimos leitores:
CCR: BRASIL: POR UMA GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO DOS GOLPISTAS! 10.06.2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/greve-geral-golpistas/

CCR: BRASIL: APÓS O IMPEACHMENT O NOVO GOVERNO MICHEL TEMER ATACA PROFUNDAMENTE OS TRABALHADORES. O golpe foi principalmente contra os trabalhadores e movimentos sociais, 31.05.2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-governo-temer/

CCR: O BRASIL APÓS O IMPEACHMENT DO GOVERNO DE FRENTE POPULAR DO PT. POR UMA GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO DOS GOLPISTAS! 20 de maio de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-apos-impeachment/

CCR: Brasil: O ÚNICO CAMINHO POSSÍVEL: DERROTAR GOLPE DO IMPEACHMENT COM INDEPENDENTES MOBILIZAÇÕES DE MASSA DA CLASSE TRABALHADORA E DOS OPRIMIDOS, 22 de abril de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/declaracao-golpe/

CCR: Da defesa dos nossos direitos a um futuro socialista! Plataforma adesão à Corrente Comunista Revolucionária-CCR (Seção do RCIT no Brasil), http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/futuro-socialista/

CCR: Brasil: A PRISÃO DE LULA É UMA OUTRA ETAPA NO PROCESSO GOLPISTA. Construir comitês de Luta! Mobilizações de Massa contra os Conspiradores Golpistas! Mas Nenhuma Confiança no Governo Pró-Austeridade do PT/PMDB! 9 de março de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/prisao-de-lula/

(2) Para nossas análises sobre a Egipto, nos referimos leitores:

CCRI: REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO NO MUNDO ÁRABE: UM CRUCIAL TESTE PARA OS REVOLUCIONÁRIOS, 31 de maio de 2015, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/revolucao-arabe/

CCRI: Egito: ditadura militar sentencia ex-presidente Morsi à morte! Abaixo o carniceiro Geral al-Sisi! Por uma Assembléia Constituinte Revolucionária! 2015/05/17, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/egypt-morsi-death-sentence/

CCRI: A revolução árabe é um marco central para os socialistas! Carta aberta a todas as organizações revolucionárias e ativistas, 04.10.2013, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/carta-aberta-revolu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A1rabe/

(3) Para nossas análises sobre a Ucrânia, nos referimos leitores:

Michael Probsting: Rússia e China – Grandes Potências Imperialistas. Um resumo da análise da CCRI, 28 de Março de 2014, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/chinese-and-russian-imperialism/

CCRI: Carta aberta a todas as organizações Revolucionária e ativistas Revolucionários. No Início de uma Nova Fase Política: Pela Unidade dos Revolucionários na Luta Contra o avanço da contra-revolução! 29/12/2015, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/carta-aberta/



domingo, 19 de junho de 2016

França: Abaixo a lei El Khomri!

França: Abaixo a lei El Khomri!
Por uma greve geral por tempo indeterminado contra o Governo Hollande! Criar comitês de ação e Unidades de auto-defesa dos trabalhadores e oprimidos!
Declaração da Corrente Comunista Revolucionária Internacional-CCRI (em inglês-RCIT), 2016/06/02, www.thecommunists.net

A Corrente Comunista Revolucionária Internacional- (CCRI); em francês: Courant Comuniste Revoluionnaire Internationale) está em solidariedade incondicional com os trabalhadores e os jovens da França que lutam contra a lei El Khomri. Esta nova lei, se aprovada, permitirá trabalhar 12 horas por dia e, em "circunstâncias excepcionais" os funcionários poderão trabalhar até 60 horas por semana. Além disso direitos direito a férias anuais, as licenças remuneradas e outros direitos trabalhistas também estão em perigo.

A lei trabalhista de El Khomri é com razão chamada pelos trabalhadores de "lei dos patrões". É um ataque profundo sobre os direitos dos trabalhadores. Não vai criar mais empregos, mas vai enfraquecer a posição de quem tem um emprego portanto, em consequência, piorar automaticamente a posição dos companheiros desempregados. E isso em um país onde o desemprego já é de 10%!

Os trabalhadores e jovens têm demonstrado a sua determinação em lutar contra esta lei com vários dias nacionais de mobilização com mais de um milhão de participantes em mais de 170 cidades, greves por tempo indeterminado, bloqueios de refinarias de petróleo, ocupação de escolas, das administrações e praças públicas, manifestações militantes, etc. os sindicatos, em primeiro lugar a CGT, estão na vanguarda da luta em conjunto com os migrantes e as organizações de juventude.

O que testemunhamos ultimamente é a maior expressão da luta de classes na França desde a greve geral de seis semanas de duração no Outono de 1995. Então, trabalhadores bloqueiam o transporte e empresas estratégicas, os alunos ocupam suas escolas, até que são expulsos à força pela polícia, e os imigrantes indocumentados exigem regularização de seu status de trabalho ocupando com sucesso a Directorate General of Labor em Paris, etc.

A lei trabalhista de El Khomri revela mais uma vez o caráter profundamente antissocial do governo socialdemocrata reacionário de Hollande. Este governo tem feito de tudo para expor-se como o arqui-inimigo dos trabalhadores, dos jovens e dos imigrantes da França: a partir da ocupação do Mali e da República Centro Africana, o bombardeamento da Síria, as leis anti-muçulmanas, ao profundamente antidemocrático "estado de emergência" e agora a lei dos patrões.

Não é de surpreender que aFrente Nacional racista e reacionária esteja se tornando mais forte a cada momento. A capitulação descarada da ala esquerda dos sociais-democratas, assim como dos reformistas da Frente de Esquerda, aos seus arqui-inimigos, demonstrado em seu apoio ao estado de emergência de Hollande e as guerras imperialistas, deram legitimidade à ideologia racista e autoritária da Frente Nacional e dessa forma inevitavelmente fortalecendo-a.

O movimento de massas contra a lei El Khomri, as greves militantes, os bloqueios e ocupações mostram a vontade das massas em lutar por uma outra Europa - uma Europa que não é pela austeridade e o racismo interno, arames farpados ou as bombas da OTAN no exterior. O que nós precisamos é de uma Europa dos trabalhadores e dos oprimidos, os Estados Unidos Socialistas da Europa. Mas tal Europa só pode ser alcançada através da resistência contra o imperialismo da União Europeia, sem retroceder ao nacionalismo, como defendem muitos reformistas de esquerda e estalinistas.

Além disso, este movimento na França também é um golpe contra a ofensiva contrarrevolucionária dos imperialistas que tem caracterizado a França e todo o continente desde o Outono de 2015. Desde então, a classe dominante tem utilizado o reacionário ataque a Paris para criar um "estado de regime de emergência", para reprimir usando uma onda de racismo islamofóbico contra os migrantes e refugiados, para suprimir os direitos democráticos e intensificar suas guerras coloniais no Oriente Médio e Norte da África.

A luta de massas na França atual tem o potencial de mudar a situação na Europa, fundamentalmente - sob a condição de que os trabalhadores e oprimidos em outros países europeus não deixem nossos companheiros sozinhos em França. Temos que entender a importância desta luta, especialmente porque os racistas de extrema-direita só podem ser barrados se mostrarmos para as massas populares uma alternativa real da classe trabalhadora. Apelamos aos sindicatos em outros países europeus que aproveitem a ofensiva dos trabalhadores na França e organizem ações de solidariedade que devam ser combinadas com a luta contra a austeridade e pelos direitos dos trabalhadores e imigrantes. Este é o caminho a seguir!

O que é necessário é uma nova estratégia que una todos os povos oprimidos na França, sob a liderança do partido operário revolucionário para lutar não apenas contra as consequências do capitalismo – mas contra o próprio sistema. Os revolucionários da França devem tentar unificar as diferentes lutas dos trabalhadores, dos alunos de escolas e das universidades, dos muçulmanos e dos migrantes em geral. De fato, já vimos algumas ações conjuntas importantes feitas instintivamente pelos próprios trabalhadores e oprimidos!

Também é importante que os trabalhadores, os jovens e os imigrantes usem esse movimento para realizar reuniões de massa nas fábricas, nas escolas, nos bairros, nas empresas, nos portos e nas refinarias. Estas reuniões devem criar comités de ação e eleger representantes que possam organizar o movimento democrático em todo o país. Tais reuniões de massa também devem criar comissões para a auto-defesa que assumam o lugar da polícia - verdadeiros cães de guarda racistas dos ricos - e defender o movimento contra estes ataques brutais.

* Abaixo a lei El Khomri!

* Por uma greve geral por tempo indeterminado até que o governo retroceda!

* Criar comitês de ação dos grevistas nas escolas, fábricas e empresas. Por uma assembleia nacional dos delegados dos comitês que devam decidir como seguir a luta!

* Construir unidades autodefesa dos trabalhadores, dos jovens e dos migrantes para defender o movimento contra a violência policial!Por um movimento de base nos sindicatos contra a burocracia!

* Abaixo com o regime de estado de emergência! Abaixo com a constituição bonapartista da Quinta república!

* Por um plano público para acabar com o desemprego e para desenvolver o país no interesse dos trabalhadores e dos pobres. Tal programa deve estar sob o controle dos sindicatos e que devem ser financiados pelos ricos!

* Por um governo dos trabalhadores baseado em assembleias de massa dos trabalhadores, imigrantes e jovens. Só esse tipo governo vai servir a nossa classe e não aos ricos!

* Construir um partido operário realmente revolucionário para combater o racismo e o capitalismo!

* Por uma nova, revolucionária Quinta Internacional!

Secretariado Internacional do CCRI


Para as nossas análises da luta de classes na Europa nós sugerimos aos leitores, entre outros, os seguintes documentos do CCRI:
* Crescente instabilidade e militarização da União Europeia. Sobre as tarefas dos revolucionários na nova fase política que se abriu na Europa após o ataque terrorista em Paris, 2015/12/08,http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/militarism-in-eu/
* Grã-Bretanha: greve geral para derrubar o governo Cameron! Por um governo operário! Para uma Assembléia Constituinte! Lutar contra o Parlamento corrupto, que está intimamente ligado com o grande negócio! Construir Assembléias dos Povos e comitês de ação para organizar a luta por todo o país! 2016/04/14,http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/bring-down-cameron/
* Crise e luta de classes na Irlanda depois da eleição geral, 2016/03/22, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/elections-ireland/
* Eleições gregas resultam em vitória para o Reformista SYRIZA. A tarefa central agora é se preparar para as próximas batalhas e forjar um novo partido dos trabalhadores com um programa revolucionário! 2015/09/22, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/syriza-victory/
* Abrir as portas da Europa para os Refugiados! Viva a Solidariedade Internacional dos Trabalhadores e pobres! Abaixo o Imperialismo fortaleza da UE! Avançar a Revolução Árabe para construir Trabalhadores e Camponeses Repúblicas! 2015/09/15, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/refugees-are-welcome/
* Perspectivas para o Luta de Classes na perspectiva do aprofundamento da crise na imperialista mundial Economia e Política. Teses sobre recentes desenvolvimentos importantes na situação mundial e perspectivas adiante (Janeiro de 2015), http://www.thecommunists.net/theory/world-situation-january-2015/
* O terror do Estado Islâmico-Daesh é o resultado do terror imperialista! Somos contra qualquer Estado de Emergência e repressão contra os povos muçulmanos na Europa!http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/terror-bruxelas/
* O Ataque Terrorista em Paris é o resultado do terror imperialista no Oriente Médio! http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/terror-em-paris/

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment/ As Corruption Engulfs Brazil’s “Interim” President, Mask Has Fallen Off Protest Movement



 Reproduzimos abaixo o website www.theintercept.com / English version bellow

Fica claro que o movimentos golpista nunca foi contra a corrupção, mas a derrubada de um governo que já não servia mais aos interesses internacionais e da burguesia nacional.

Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

O IMPEACHMENT DA PRESIDENTE do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.
 

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:


Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

* * * * *

No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe” com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional foi “extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.

Atualização: Logo depois da publicação deste artigo, foi anunciado que o presidente interino Temer acaba de perder seu terceiro ministro para a corrupção menos de dois meses depois da tomada do poder: dessa vez, seu ministro do turismo Henrique Eduardo Alves, acusado na delação premiada de Machado de receber R$ 1,5 milhão em propinas de 2008 a 2014. Quando se toma o poder antidemocraticamente usando a “corrupção” como pretexto, em geral é uma má ideia encher sua equipe de criminosos (e ter o próprio novo presidente envolvido em múltiplos escândalos de corrupção).




As Corruption Engulfs Brazil’s “Interim” President, Mask Has Fallen Off Protest Movement  

 https://theintercept.com/2016/06/16/as-corruption-engulfs-brazils-interim-president-mask-has-fallen-off-protest-movement/



 MOMENTUM FOR THE impeachment of Brazil’s democratically elected president, Dilma Rousseff, was initially driven by large, flamboyant street protests of citizens demanding her removal. Although Brazil’s dominant media endlessly glorified (and incited) these green-and-yellow-clad protests as an organic citizen movement, evidence recently emerged that protests groups were covertly funded by opposition parties. Still, there is no doubt that millions of Brazilians participated in marches demanding Rousseff’s ouster, claiming they were motivated by anger over her and her party’s corruption.
But from the start, there were all sorts of reasons to doubt this storyline and to see that these protesters were (for the most part) not opposed to corruption, but simply devoted to removing from power the center-left party that won four straight national elections. As international media outlets reported, data showed that the protesters were not representative of Brazilian society but rather were disproportionately white and rich: In other words, the same people who have long hated and voted against PT. As The Guardian put it in its description of the largest Rio protest: “The crowd was predominantly white, middle class and predisposed to supporting the opposition.” To be sure, many former PT supporters turned against Dilma — with good reason — and PT itself has indeed been rife with corruption. But the protests were largely composed of the same factions who have long opposed PT.
That’s why a photo — of a wealthy, white family at an anti-Dilma protest trailed by their black weekend nanny decked in the all-white uniform many rich Brazilians make their domestic servants wear — went viral: because it captured what these protests were. And while these protests rightly denounced the corruption scandals inside PT — and there are many — they largely ignored the right-wing politicians drowning in far worse corruption scandals than Dilma.
Plainly, these were not anti-corruption marches but rather anti-democracy marches: conducted by people whose political views are a minority and whose preferred politicians lose when elections determine who leads Brazil. And, as intended, the new government is now attempting to impose an agenda of austerity and privatization that would never be ratified if the population had any say (Dilma herself imposed austerity measures after her 2014 re-election, after running on a campaign against them).
After yesterday’s huge news from Brazil, the evidence that these protests were a sham is now overwhelming. An oil executive and ex-senator from the conservative opposition party PSDB, Sérgio Machado, testified as part of his plea bargain that Michel Temer — Brazil’s “interim” president who conspired to get rid of Dilma — demanded 1.5 million reals in illegal kickbacks for the São Paulo mayoral campaign of his party’s candidate (Temer denies this). This comes on top of multiple other corruption scandals in which Temer is implicated, as well as a court-imposed eight-year ban on his running for any office (including the one he now occupies) due to violations of campaign spending laws.
And that’s all independent of how two of Temer’s new ministers were forced to resign after recordings revealed they were conspiring to kill the corruption investigation in which they are targets, including one who was Temer’s anti-corruption minister and another — Romero Jucá, one of Temer’s closest allies in Brasília — who now has been accused by Machado of receiving many millions in bribes. In sum, the person whom Brazilian elites — in the name of “anti-corruption” — installed to replace the democratically elected president is choking on multiple, overwhelming scandals of corruption.
But yesterday’s bombshell extended far beyond Temer, engulfing numerous other politicians who have been leading the impeachment charge against Dilma. Perhaps most significant is Aécio Neves, the center-right PSDB candidate whom Dilma defeated in 2014 and who, as a senator, is a leading advocate of her impeachment. Machado testified that Aécio — who also had been previously implicated in the corruption scandal — received and controlled 1 million reals in illegal campaign donations. To describe Aécio as central to the protesters’ worldview is an understatement. For over a year, they popularized the phrase “It’s not my fault: I voted for Aécio”; they even made T-shirts and bumper stickers proudly proclaiming this:
Evidence of pervasive corruption among Brazil’s political class — not only PT but far beyond it — continues to emerge, now engulfing those who undemocratically seized power in the name of combating it. But ever since the lower House vote on Dilma’s impeachment, the protest movement has disappeared. For some reason, the “Vem Pra Rua” (come to the streets) contingent is not out in the streets demanding Temer’s impeachment, or Aécio’s removal, or Jucá’s imprisonment. Why is that? Where have they gone?
One searches their website and Facebook pages in vain for any denunciation, let alone protest organizing, aimed at the deep, pervasive corruption of the “interim” government or any of the numerous politicians not on the left. They are still promoting what they hope will be a massive march on July 31, but that centers around Dilma’s impeachment, not Temer or any opposition leaders who have proven to be deeply corrupt. Their purported anger over corruption seems to begin — and end — with Dilma and PT.
In this regard, this protest movement is indeed representative of impeachment itself: It used corruption as the pretext for the anti-democratic end it sought to achieve. Whatever else is true, any process that results in the empowerment of people like Michel Temer, Romero Jucá, and Aécio Neves had many goals; anti-corruption was never one of them.
Last month, Brazil’s first Pulitzer Prize winner, the photojournalist Mauricio Lima, denounced impeachment as a “coup” with the Globo TV network at its center. Last night, as a guest on Chelsea Handler’s Netflix show, Wagner Moura, arguably Brazil’s most popular actor, denounced it in similar terms, saying that domestic media coverage has been “extremely limited” because the Brazilian media “is owned by five families.”
UPDATE: Shortly after this article was published, it was announced that “interim” President Temer just lost his third minister to corruption in less than two months since he seized power: this time, this Tourism Minister Henrique Eduardo Alves, accused in Machado’s plea statement of receiving R$ 1.5 million in kickbacks from 2008 to 2014. If you’re going to take power undemocratically and use “corruption” as the pretext, it’s generally a bad idea to fill your new cabinet with criminals (and, for that matter, for the new president himself to be implicated in multiple layers of corruption).