domingo, 21 de agosto de 2016

CORRENTE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA -CCR NAS ELEIÇÕES NO BRASIL 2016

CORRENTE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA -CCR NAS ELEIÇÕES NO BRASIL 2016

VAMOS ÀS ELEIÇÕES COM O PCO, CONTRA O GOLPE E PELAS REIVINDICAÇÕES DOS TRABALHADORES

A CCR está lançando o companheiro Prof. JOAO EVANGELISTA como candidato à vice-prefeito nas eleições municipais da cidade de Diadema. A nossa candidatura está abrigada no Partido de Causa Operária-PCO 29, tendo o militante do PCO, VANDIVAL FERREIRA DOS SANTOS, operário da construção civil como cabeça de chapa, candidato à prefeito, TENDO COMO OBJETIVO PRINCIPAL DE NOSSA CAMPANHA A LUTA CONTRA O GOLPE DE ESTADO E A DENUNCIA DA FARSA DAS ELEIÇÕES ATUAIS.
Em que pese as diferenças que temos com O PCO, principalmente no que concerne à algumas caracterizações da luta de classes, como por exemplo em âmbito mundial em que nós do CCR consideramos Russia e China como países imperialistas em oposição ao imperialismo tradicional de EUA-UE e Japão, porém junto com o PCO temos a mesma análise sobre os processos de golpe de Estado acontecidos patrocinados pelo imperialismo americano desde Honduras, Paraguai, Tailândia, Egito, Ucrânia e Turquia, passando pela tentativa de derrubada do governo de venezuela, as eleições fraudulentas que levaram à vitória de Macri na Argentina e finalmente o Brasil.
O PCO exercendo democracia operária abre as candidaturas às várias correntes e aqrupamentos revolucionários menores que ainda não tem condições de regularização partidária no Brasil. Isso se explica pelas condições burocráticaspara a criação oficial de um partido no páis são extremamente difíceis.
Além disso, nós do CCR, junto com o PCO, temos acordo fundamental em âmbito nacional quanto à caracterização de que o que está em curso no Brasil é um verdadeiro golpe de Estado e que é necessário juntar forças para não só derrubar o golpe, como mobilizar a classe trabalhadora contra os ataques neoliberais do governo golpista de Michel Temer , assim como de qualquer governo que venha a se estabelecer nesse momento de crise institucional.
Nesse sentido, mesmo que o governo de Dilma Roussef volte ao poder, o que tudo indica é quase impossível, nós como classe operária temos que ter total independência de classe na luta contra os chamados ajustes, ou seja, as reformas trabalhistas, reforma da previdência, os cortes orçamentários na saúde, educação, habitação, a privatização das riquezas nacionais como a Petrobrás e o Pré-sal, congelamento por 20 anos nos invbestimentos em saúde e educação.etc. Tal resistência passa necessariamente pelo chamado à greve geral dos trabalhadores contra esses ataques.
A repressão bonapartista aos movimentos sociais, aos partidos de esquerda e a tudo que se assemelha a bandeiras progressistas está cada vez mais evidente no país. Os jogos olímpicos foram um exemplo muito claro. Vários cidadãos que gritaram “Fora Temer!” ou “Abaixo o Golpe!” foram sumariamente expulsos dos estádios. O ex-presidente Lula da Silva está ameaçado de prisão, militantes do MST e dos Movimentos sem-teto estão sendo presos ou ameaçados de prisão com base na lei anti-terrorismo, ironicamente uma lei aprovada há meses pela mesma presidente Dilma Roussef do PT afastada e sofrendo processo de impeachment.
A juventude dos bairros pobres da periferia, principalmente os afro-descendentes, continua sendo massacrada. Assim como nas redes sociais se demonstra forte intolerância contra os negros, contra os direitos do LGBT, aumenta o machismo se traduzindo na violência contra as mulheres, as comunidades indígenas se vêem ameaçadas de perder suas terras pelo latifúndio e o agronegócio. Em resumo é necessário uma ampla resistência e organização das classes pobres e oprimidas contra a exploração do sistema capitalista e da burguesia.
A nossa candidadura, além de servir para denunciar o golpe de estado, vêm alertar que nenhuma eleição dentro do sistema capitalista pode ser solução para os verdadeiros problemas da classe trabalhadora. Tudo não passa de uma falsa democracia. Somente a nossa organização e mobilização poderá levar à independência da classe trabalhadora contra seus exploradores: a burguesia. Não podemos ter nenhuma confiança no processo eleitoral, principalmente neste momento em que um golpe de estado através do parlamento, com apoio do judiciário e da mídia capitalista detém total controle das eleições.
CHAMAMOS OS COMPANHEIROS A SE SOMAREM À NOSSA CAMPANHA DE LUTA, A VOTAREM 29, CONTRA O GOLPE E NA DEFESA DAS REIVINDICAÇÕES DOS TRABALHADORES E DE TODOS EXPLORADOS. PROF..JOAO EVANGELISTA CANDIDATO A VICE-PREFEITO DE DIADEMA, COM VANDIVAL PREFEITO - 29 .


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Turquia após o fracassado golpe: Defender os direitos democráticos!

Turquia após o fracassado golpe: Defender os direitos democráticos!
Declaração conjunta da Dördüncü Blok (Turquia) e Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI/DKUE), 16/7/2016 (21h30 horas local da Turquia), http://www.thecommunists.net/ e http://dorduncublok.blogspot.com
1. Após a tentativa de golpe por parte do exército turco ter sido derrotada nas ruas de Istambul, os revolucionários devem permanecer alertas. Não devemos permitir que esta tentativa fracassada de golpe de Estado seja usada pelo reacionário governo Erdoğan para diminuir ainda mais os direitos democráticos. No entanto, esta tentativa de golpe não foi um teatro político inventado por Erdoğan para justificar ainda mais o enfraquecimento dos direitos democráticos, foi uma tentativa bastante real que foi interrompida com o sangue das massas.
2. Parece que quase todas as grandes potências estavam dispostas apoiar um golpe bem-sucedido. Não disseram nada negativo sobre o golpe até que ficou claro que ele tinha sido derrotado nas ruas. Após o golpe elas tiveram que falar contra ele, porque elas ainda querem ter influência sobre o governo Turco. O fato de que o Exército Sírio leal a Assad ter aplaudido a tentativa de golpe de estado na Turquia demonstra mais uma vez a natureza reacionária do regime de Assad.
3. Salientamos que a nossa posição no documento que emitimos enquanto a tentativa de golpe de estado ainda estava acontecendo é absolutamente correta. Durante a noite entre 15 e 16 de julho, afirmamos: "A fim de derrotar o golpe militar precisamos de ações de massa dos trabalhadores e dos pobres! (…) eles colocaram os soldados em nossas ruas e bairros, vamos mostrar a eles que foi um grande erro!" (Veja a declaração do CCRI e DKUE: Turquia: derrotar o golpe nas ruas! Nenhum apoio político para o AKP/Erdogan! Mas o principal inimigo é o comando do exército, apoiados pelas grandes potências! http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/derrotar-golpe-turquia/) isto é exatamente o que aconteceu. O golpe foi derrotado pelas massas da população urbana pobre de Istambul e Ancara. Enquanto muitos daqueles que tomaram as ruas são adeptos de Erdoğan e muitos tiveram motivação religiosa precisamos afirmar categoricamente: eles estavam no lado correto das barricadas e em sua heroica oposição ao golpe de estado, estávamos juntamente com eles.
4. O fato de que as esquerdas turcas não tiveram nenhum papel nesta luta de massa reflete meramente sua fraqueza e sectarismo. Isto poderia ter sido a oportunidade perfeita para as esquerdas turcas ganharem a confiança de um setor das massas dos trabalhadores religiosos turcos que seguem o AKP. Nós poderíamos ter mostrado a eles que, embora tenhamos divergências políticas, também defendemos os seus direitos e suas vidas contra os ataques reacionários. Os acontecimentos em Istambul demonstram a importância de construir um verdadeiro partido revolucionário que seja capaz de intervir em tais lutas ao lado de trabalhadores politicamente atrasados e mostrar a eles, na prática, que eles podem confiar em nós.
5. As esquerdas turcas poderiam ter usado esta oportunidade para tomar o controle de pelo menos alguns distritos em Istambul e outras partes do país. Poderiam tomar as ruas sob o lema "Abaixo o golpe de estado – mas nenhum apoio político para Erdoğan!" E teriam tido pelo menos uma influência limitada junto às massas em revolta. Ela poderia ter assegurado que, pelo menos em partes do país, o resultado da revolta de massas teria levado à autodeterminação para alguns bairros. Isso teria sido um sinal importante para as massas da Turquia sobre como proceder. Mas sem surpresas, o sectarismo da esquerda levou-os a declarar que os revolucionários deveriam ficar em casa enquanto as massas lutavam nas ruas. Este é o caminho para "não sujar as mãos", esperando por um movimento revolucionário "puro" (que nunca chega) e ficar isolado.
6. Nós chamamos pelos comitês populares que devem monitorar o exército e especialmente os oficiais que não são leais a vontade das massas populares. Todos aqueles que participaram no golpe ou estiveram envolvidos em crimes de guerra no Curdistão devem ser trazidos aos tribunais populares. A massa do povo tem que limpar o exército de todos aqueles que estão dispostos a levantar armas contra eles. Propomos que todas as passagens na Constituição turca e das leis que permitem ao exército a intervir contra seu próprio povo sejam excluídas; da mesma forma, a opção de declarar lei marcial também deve ser eliminada. No entanto, também devemos deixar inequivocamente claro dizendo aos trabalhadores e oprimidos que nenhum pedaço de papel os protegerá contra o exército e a polícia, apenas sua própria força, sua organização e sua vontade de lutar.
7. Ao mesmo tempo, somos contra o esforço do governo Erdoğan em reforçar a polícia, às custas do exército. A promulgação desta política de modo algum assegurará que não haverá nenhuma ditadura na Turquia, mas apenas estará a assegurar que não será conduzido pelo exército. A estratégia de fortalecer a polícia de Erdogan foi concebida para garantir que ele será capaz de permanecer no poder e construir o seu estado presidencial- policial- ditatorial. Os trabalhadores e as massas do povo não devem ter confiança na polícia, que têm sido usada para reprimir manifestações tantas vezes no passado, e que está pronta para atacar contra as massas mais uma vez na hora em que forem chamados. Somente os trabalhadores e milícias populares que são verdadeiramente fiéis às massas do povo, eleitos nos locais de trabalho e bairros, é que irão garantir que as forças armadas encontrarão oposição forte, se elas tentarem atacar seu próprio povo. Tais milícias irão garantir que os pobres e os nossos irmãos e irmãs curdos estão protegidos. 
8. A parte do exército que declarou guerra às massas do povo, tiveram seus tanques invadidos e estando cercados foram forçados a capitular. Da mesma forma, precisamos lutar contra a guerra que foi declarada contra o povo curdo, com a ocupação de suas cidades, as inúmeras prisões e assassinatos. Precisamos ganhar apoio entre os trabalhadores turcos e pobres para forçar o mesmo exército que lhes atacou a retirar as suas forças das áreas curdas da Turquia e para terminar as suas operações militares e assassinatos contra os nossos irmãos e irmãs curdos. Os acontecimentos deste dia passado mostraram que as massas curdas e turcas partilham o mesmo inimigo: o antidemocrático exército turco! Agora é o momento decisivo dos trabalhadores turcos serem afastados da influência reacionária do AKP. Mas isso não pode simplesmente ser feito por uma sectária denúncia do AKP, como fazem os estalinistas, mas em defendê-los contra os ataques reacionários e pedagogicamente explicando-lhes os seus verdadeiros interesses. Ao mesmo tempo, temos de lutar contra todas as medidas reacionárias do governo Erdoğan e politicamente criticar o islamismo burguês. 
9. Uma bandeira central para os Revolucionários na Turquia agora é "Por uma Assembleia Constituinte Revolucionária!" Vamos lutar por uma assembleia constituinte que seja baseada em comissões eleitas em assembleias de massa nos bairros e locais de trabalho. Precisamos lutar contra todos os ataques reacionários aos direitos democráticos e nos esforçarmos para a formação do poder real para os trabalhadores e os pobres! 
10. A tarefa central continua a ser o construir um partido autenticamente revolucionário na Turquia. É imperativo que esse partido também seja capaz de influenciar politicamente os trabalhadores religiosos, ao mesmo tempo não dando qualquer apoio político ao islamismo. Esse partido vai defender as massas do povo, em particular os curdos e todas as outras minorias nacionais, contra toda a injustiça, não importa se forem por parte dos generais kemalistas, do estado policial de Erdoğan ou das empresas multinacionais! Pela formação de partidos revolucionários em todos os países, e pelo seu fortalecimento nas próximas lutas pela frente! Por uma revolucionária 5ª Internacional!

sábado, 9 de julho de 2016

Carta aberta aos membros e simpatizantes Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional, LIT-QI)

Após a divisão do PSTU / LIT-QI: Que lições podem ser tiradas?
Carta aberta aos membros e simpatizantes Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional, LIT-QI)
Emitido pelo Secretariado Internacional da Corrente Comunista Revolucionária Internacional-CCRI e pela Corrente Comunista Revolucionária-CCR (Seção no Brasil do CCRI), 11/07/2016, www.thecommunists.net

Caros companheiros da LIT-QI,

Sem dúvida, o rompimento no PSTU - a maior seção da LIT - é um evento importante. É importante não só porque envolveu quase metade dos membros da seção brasileira, mas também porque isso reflete problemas fundamentais desta organização.

Como devem estar ciente, a causa direta para o rompimento foi a vergonhosa posição neutra abstencionista da maioria PSTU quando a grande burguesia no Brasil - com a ajuda do Poder Judiciário do Estado, da mídia privada, assim como da neoliberal oposição de direita - derrubou o governo de Frente Popular de Dilma Rousseff com um golpe institucional. Mesmo hoje em dia a liderança PSTU recusa-se a uma frente única com as organizações de massa reformistas FBP, FPSM, CUT, MST, MTST etc., a fim de mobilizar contra o governo de direita, neoliberal de Michel Temer!

Ao mesmo tempo, a liderança PSTU combina tal sectarismo Terceiro Campista com a convocação arqui-oportunista por ... uma greve geral para novas eleições gerais parlamentares! Qual seria o resultado dessas eleições gerais? Um reforço dos partidos de direita? A consolidação do PT? Como podem revolucionários orientar a vanguarda da classe trabalhadora para uma tal manobra eleitoral parlamentar que só faria estabilizar o regime capitalista?!

A minoria do PSTU, que agora rompeu, parece ter criticado esta política e nisto eles certamente estavam corretos!

A CCRI e sua seção no Brasil caracterizam posição abstencionista da liderança do PSTU como uma completa traição ao movimento operário. Com certeza, os revolucionários não poderiam dar qualquer apoio político ao governo da Frente Popular liderado pelo reformista PT. O PT fez uma coalizão reacionária com o abertamente burguês PMDB e se acomodou à burguesia tendo iniciado reformas neoliberais. Mas este não foi o motivo pelo qual o PMDB deixou a coalizão e não foi o motivo pelo qual a grande burguesia unificada derrubou o governo através de um golpe institucionalizado. A razão estava relacionada com que o governo da Frente Popular não foi longe o suficiente com a sua adaptação ao neoliberalismo. Ele foi impedido em ir mais longe por causa de sua base social, ou seja, o fato do PT ter como base de apoio os sindicatos, as organizações camponesas, as organizações dos pobres urbanos etc. É por causa desta base que a liderança do governo PT foi forçada a introduzir programas sociais como o Bolsa Família.

A grande burguesia - com o apoio do imperialismo norte-americano - instigou o golpe porque ela queria impor um governo de direita que não tivese limitações de sua base para implementar um ataque neoliberal completo sobre a classe trabalhadora e os pobres. Esta é a principal razão pela qual as organizações de massas reformistas da classe trabalhadora e dos pobres estão mobilizados contra o golpe. Esta é a principal razão pela qual eles estão se mobilizando agora contra o governo Temer.

Por essa razão o golpe institucional foi um ataque contra as massas populares. Os Revolucionários tiveram que entender isso e chamar por uma frente única contra os golpistas com as organizações de massa reformistas. Eles tiveram que participar das manifestações de massa anti-golpista, sem dar qualquer apoio político para o governo de Dilma Rousseff. Eles tiveram que combinar a luta contra o golpe com uma perspectiva de fazer com que a classe trabalhadora e suas organizações rompessem com a Frente Popular e para construir um forte partido revolucionário. Esta foi a política do CCRI e sua seção no Brasil que tentamos implementar o melhor possível com as nossas limitadas forças. [1]

Camaradas da LIT: Uma organização como o PSTU, que afirma representar a vanguarda, falha completamente em dar às massas populares qualquer direção se é incapaz de diferenciar entre a Frente Popular e os golpistas, entre Kerensky e Kornilov, entre Negrin e Franco .

A política da liderança PSTU aparece como ultra-esquerda, mas na verdade, era principalmente uma adaptação aos preconceitos reacionários da classe média liberal que despreza o PT por ter apoio entre os trabalhadores supostamente "ignorantes" e pobres.

Camaradas, muitos de vocês podem concordar mais ou menos com a nossa crítica à política do PSTU durante o golpe. Mas pode ser que você ache que isso foi simplesmente um erro. Nós afirmamos: Não, isto não foi um erro isolado, mas o resultado de um método político errado.

Vejam a posição vergonhosa que a liderança LIT tomou durante o golpe militar no Egito ou com as mobilizações imperialistas pró-ocidentais na Ucrânia contra o governo Yanukovych, com a participação significativa de forças fascistas. No Egito, a liderança da LIT saudou o sangrento golpe do general, Sisi em 03 de julho, de 2013 como uma expressão do processo revolucionário em curso no Egito! Que escandalosa caracterização para um golpe de Estado em que a velha guarda de Mubarak - com o apoio de todas as grandes potências (por exemplo, EUA, UE, Rússia, China) - assumiu o poder, massacraram milhares de pessoas e aboliu os direitos democráticos que as massas conquistaram em 2011! O CCRI e seus camaradas no Oriente Médio se opuseram ao golpe militar desde o início e chamaram por uma frente única das organizações da classe operária e das pessoas (incluindo organizações de massa islâmicas) para resistir aos golpistas assassinos. [2]

Na Ucrânia, a liderança da LIT saudou a insurreição liderada pelo fascista setor direito (com o apoio do imperialismo norte-americano) no final de fevereiro 2014 como uma "revolução democrática". Certamente, os revolucionários não poderiam defender o governo Yanukovych, que foi um lacaio do imperialismo russo. Mas, apoiar as mobilizações reacionárias que foram iniciadas e controladas pelos imperialistas dos EUA e da UE e pelos partidos da oposição de direita e fascistas, desde o início até o fim, não é senão uma completa zombaria do marxismo! [3]

Camaradas da LIT: Como pôde tudo isso acontecer? São essas traições erros isolados? Não, se uma liderança falha repetidamente em grandes eventos da luta de classes internacional nos últimos anos, isso não é acidente; isso reflete sim um terrível método errado!

Este repetidas falhas estão relacionadas com o método da LIT que podemos caracterizar como "objetivismo fatalista" e "processo oportunista". A liderança da LIT acredita que o "processo objetivo" vai empurrar inevitável todas as mobilizações e movimentos políticos em uma direção progressista - independentemente da sua liderança, de sua composição de classe social e da sua relação de forças. Este método é justificado com referências à crise do capitalismo e a necessidade objetiva para a revolução socialista. Trotsky caracteriza este método como "objetivismo fatalista". Na verdade, a liderança da LIT ignora completamente as forças vivas da luta de classes e "a importância da atividade revolucionária com consciência de classe na história" (Trotsky). As frases da LIT sobre o "processo revolucionário" escondem uma adaptação oportunista em direção à classe média liberal.

Sim, o capitalismo enfrenta uma crise histórica e estamos vivendo em um período histórico onde a revolução socialista está na agenda. No entanto, o capitalismo em decadência, infelizmente, não só conhece a revolução socialista como uma saída, mas também conhece a barbárie. De fato, em um período tão histórico de crise capitalista, a partir do momento que se abriu a partir 2008, tanto a luta de classes dos trabalhadores e dos oprimidos, bem como os ataques das forças reacionárias estão se acelerando!

Em tal período é crucial para os revolucionários combinarem um programa de transição para trabalhar a independência de classe e para a revolução socialista com uma política concreta da tática da frente única. Essa política leva em conta a dinâmica concreta da luta de classes; que diferencia entre os agressores diretos imediatos contra a classe operária e os oprimidos e entre os podres reformistas e traidores populistas que se situam no topo das organizações populares de massa. Tal política marxista é apta a denunciar os reformistas e lideranças populistas e, ao mesmo tempo, aplicar a tática da frente única, que chama a base destas organizações de massa para as ações conjuntas (assim como colocar exigências para as suas lideranças nessas ações unificadas).

Tal política, - até mesmo com uma propaganda consistente e agitação - exige a existência de uma organização revolucionária autêntica. Tal organização não deve sucumbir em alianças estratégicas com as forças reformistas ou centristas (como o PSOL no Brasil). Isso seria apenas uma outra forma de oportunismo - oportunismo na construção do partido. Não, essa organização deve lutar por um programa revolucionário e para trabalhar a independência de classe. Deve esforçar-se para construir o partido revolucionário como a mais alta forma de organização da consciência de classe proletária. Ela deve lutar para construir o partido revolucionário como a mais elevada forma de consciência de classe operária. Ela deve manter a vanguarda consciente do caráter revolucionário do presente período histórico e da luta contra todas as formas de pessimismo pequeno-burguês (como aquele que supostamente estamos vivendo em um período caracterizado pelo colapso do stalinismo e por uma regressão na consciência de classe).

Ao mesmo tempo, uma tal organização revolucionária deve intervir na luta de classes, com uma avaliação correta das diferentes forças de classe e deve implementar a tática da frente única para as organizações de massas que, infelizmente, ainda reúnem a maioria dos trabalhadores com consciência de classe e oprimidos. Esta é a única maneira de fazer com que os trabalhadores e oprimidos rompam com suas direções reformistas traidoras!

Tememos que os companheiros que romperam com PSTU não compreenderam suficientemente as falhas metodológicas da LIT. Eles escreveram em sua declaração pública: Reconhecemos o PSTU como uma organização revolucionária. Não pensamos que é menos revolucionária agora do que antes. Mas às vezes é impossível aos revolucionários pertencer a uma mesma organização. (...) Mantemo-nos, por isso, nos marcos da Liga Internacional dos Trabalhadores, na qualidade de seção simpatizante. Nós perguntamos aos camaradas: Se o PSTU é uma organização revolucionária e a única diferença é tática, por que romper? De fato, os camaradas provavelmente sintam que os problemas políticos são mais profundos, mas não chegaram à conclusões políticas da sua ruptura organizacional.

A CCRI está construindo uma organização deste tipo. Apelamos a todos os companheiros da LIT – para sua maioria, bem como para sua minoria - a reconsiderar o método de suas lideranças e entrem em discussão e colaboração conosco! Camaradas, agora é a hora de tirar as lições certas das lutas passadas e em conjunto para construir um partido revolucionário mundial lutando pela revolução socialista!



(1) Para nossas análises sobre a Brasil, nos referimos leitores:
CCR: BRASIL: POR UMA GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO DOS GOLPISTAS! 10.06.2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/greve-geral-golpistas/

CCR: BRASIL: APÓS O IMPEACHMENT O NOVO GOVERNO MICHEL TEMER ATACA PROFUNDAMENTE OS TRABALHADORES. O golpe foi principalmente contra os trabalhadores e movimentos sociais, 31.05.2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-governo-temer/

CCR: O BRASIL APÓS O IMPEACHMENT DO GOVERNO DE FRENTE POPULAR DO PT. POR UMA GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO DOS GOLPISTAS! 20 de maio de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/brasil-apos-impeachment/

CCR: Brasil: O ÚNICO CAMINHO POSSÍVEL: DERROTAR GOLPE DO IMPEACHMENT COM INDEPENDENTES MOBILIZAÇÕES DE MASSA DA CLASSE TRABALHADORA E DOS OPRIMIDOS, 22 de abril de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/declaracao-golpe/

CCR: Da defesa dos nossos direitos a um futuro socialista! Plataforma adesão à Corrente Comunista Revolucionária-CCR (Seção do RCIT no Brasil), http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/futuro-socialista/

CCR: Brasil: A PRISÃO DE LULA É UMA OUTRA ETAPA NO PROCESSO GOLPISTA. Construir comitês de Luta! Mobilizações de Massa contra os Conspiradores Golpistas! Mas Nenhuma Confiança no Governo Pró-Austeridade do PT/PMDB! 9 de março de 2016, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/prisao-de-lula/

(2) Para nossas análises sobre a Egipto, nos referimos leitores:

CCRI: REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO NO MUNDO ÁRABE: UM CRUCIAL TESTE PARA OS REVOLUCIONÁRIOS, 31 de maio de 2015, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/revolucao-arabe/

CCRI: Egito: ditadura militar sentencia ex-presidente Morsi à morte! Abaixo o carniceiro Geral al-Sisi! Por uma Assembléia Constituinte Revolucionária! 2015/05/17, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/egypt-morsi-death-sentence/

CCRI: A revolução árabe é um marco central para os socialistas! Carta aberta a todas as organizações revolucionárias e ativistas, 04.10.2013, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/carta-aberta-revolu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A1rabe/

(3) Para nossas análises sobre a Ucrânia, nos referimos leitores:

Michael Probsting: Rússia e China – Grandes Potências Imperialistas. Um resumo da análise da CCRI, 28 de Março de 2014, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/chinese-and-russian-imperialism/

CCRI: Carta aberta a todas as organizações Revolucionária e ativistas Revolucionários. No Início de uma Nova Fase Política: Pela Unidade dos Revolucionários na Luta Contra o avanço da contra-revolução! 29/12/2015, http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/carta-aberta/



domingo, 19 de junho de 2016

França: Abaixo a lei El Khomri!

França: Abaixo a lei El Khomri!
Por uma greve geral por tempo indeterminado contra o Governo Hollande! Criar comitês de ação e Unidades de auto-defesa dos trabalhadores e oprimidos!
Declaração da Corrente Comunista Revolucionária Internacional-CCRI (em inglês-RCIT), 2016/06/02, www.thecommunists.net

A Corrente Comunista Revolucionária Internacional- (CCRI); em francês: Courant Comuniste Revoluionnaire Internationale) está em solidariedade incondicional com os trabalhadores e os jovens da França que lutam contra a lei El Khomri. Esta nova lei, se aprovada, permitirá trabalhar 12 horas por dia e, em "circunstâncias excepcionais" os funcionários poderão trabalhar até 60 horas por semana. Além disso direitos direito a férias anuais, as licenças remuneradas e outros direitos trabalhistas também estão em perigo.

A lei trabalhista de El Khomri é com razão chamada pelos trabalhadores de "lei dos patrões". É um ataque profundo sobre os direitos dos trabalhadores. Não vai criar mais empregos, mas vai enfraquecer a posição de quem tem um emprego portanto, em consequência, piorar automaticamente a posição dos companheiros desempregados. E isso em um país onde o desemprego já é de 10%!

Os trabalhadores e jovens têm demonstrado a sua determinação em lutar contra esta lei com vários dias nacionais de mobilização com mais de um milhão de participantes em mais de 170 cidades, greves por tempo indeterminado, bloqueios de refinarias de petróleo, ocupação de escolas, das administrações e praças públicas, manifestações militantes, etc. os sindicatos, em primeiro lugar a CGT, estão na vanguarda da luta em conjunto com os migrantes e as organizações de juventude.

O que testemunhamos ultimamente é a maior expressão da luta de classes na França desde a greve geral de seis semanas de duração no Outono de 1995. Então, trabalhadores bloqueiam o transporte e empresas estratégicas, os alunos ocupam suas escolas, até que são expulsos à força pela polícia, e os imigrantes indocumentados exigem regularização de seu status de trabalho ocupando com sucesso a Directorate General of Labor em Paris, etc.

A lei trabalhista de El Khomri revela mais uma vez o caráter profundamente antissocial do governo socialdemocrata reacionário de Hollande. Este governo tem feito de tudo para expor-se como o arqui-inimigo dos trabalhadores, dos jovens e dos imigrantes da França: a partir da ocupação do Mali e da República Centro Africana, o bombardeamento da Síria, as leis anti-muçulmanas, ao profundamente antidemocrático "estado de emergência" e agora a lei dos patrões.

Não é de surpreender que aFrente Nacional racista e reacionária esteja se tornando mais forte a cada momento. A capitulação descarada da ala esquerda dos sociais-democratas, assim como dos reformistas da Frente de Esquerda, aos seus arqui-inimigos, demonstrado em seu apoio ao estado de emergência de Hollande e as guerras imperialistas, deram legitimidade à ideologia racista e autoritária da Frente Nacional e dessa forma inevitavelmente fortalecendo-a.

O movimento de massas contra a lei El Khomri, as greves militantes, os bloqueios e ocupações mostram a vontade das massas em lutar por uma outra Europa - uma Europa que não é pela austeridade e o racismo interno, arames farpados ou as bombas da OTAN no exterior. O que nós precisamos é de uma Europa dos trabalhadores e dos oprimidos, os Estados Unidos Socialistas da Europa. Mas tal Europa só pode ser alcançada através da resistência contra o imperialismo da União Europeia, sem retroceder ao nacionalismo, como defendem muitos reformistas de esquerda e estalinistas.

Além disso, este movimento na França também é um golpe contra a ofensiva contrarrevolucionária dos imperialistas que tem caracterizado a França e todo o continente desde o Outono de 2015. Desde então, a classe dominante tem utilizado o reacionário ataque a Paris para criar um "estado de regime de emergência", para reprimir usando uma onda de racismo islamofóbico contra os migrantes e refugiados, para suprimir os direitos democráticos e intensificar suas guerras coloniais no Oriente Médio e Norte da África.

A luta de massas na França atual tem o potencial de mudar a situação na Europa, fundamentalmente - sob a condição de que os trabalhadores e oprimidos em outros países europeus não deixem nossos companheiros sozinhos em França. Temos que entender a importância desta luta, especialmente porque os racistas de extrema-direita só podem ser barrados se mostrarmos para as massas populares uma alternativa real da classe trabalhadora. Apelamos aos sindicatos em outros países europeus que aproveitem a ofensiva dos trabalhadores na França e organizem ações de solidariedade que devam ser combinadas com a luta contra a austeridade e pelos direitos dos trabalhadores e imigrantes. Este é o caminho a seguir!

O que é necessário é uma nova estratégia que una todos os povos oprimidos na França, sob a liderança do partido operário revolucionário para lutar não apenas contra as consequências do capitalismo – mas contra o próprio sistema. Os revolucionários da França devem tentar unificar as diferentes lutas dos trabalhadores, dos alunos de escolas e das universidades, dos muçulmanos e dos migrantes em geral. De fato, já vimos algumas ações conjuntas importantes feitas instintivamente pelos próprios trabalhadores e oprimidos!

Também é importante que os trabalhadores, os jovens e os imigrantes usem esse movimento para realizar reuniões de massa nas fábricas, nas escolas, nos bairros, nas empresas, nos portos e nas refinarias. Estas reuniões devem criar comités de ação e eleger representantes que possam organizar o movimento democrático em todo o país. Tais reuniões de massa também devem criar comissões para a auto-defesa que assumam o lugar da polícia - verdadeiros cães de guarda racistas dos ricos - e defender o movimento contra estes ataques brutais.

* Abaixo a lei El Khomri!

* Por uma greve geral por tempo indeterminado até que o governo retroceda!

* Criar comitês de ação dos grevistas nas escolas, fábricas e empresas. Por uma assembleia nacional dos delegados dos comitês que devam decidir como seguir a luta!

* Construir unidades autodefesa dos trabalhadores, dos jovens e dos migrantes para defender o movimento contra a violência policial!Por um movimento de base nos sindicatos contra a burocracia!

* Abaixo com o regime de estado de emergência! Abaixo com a constituição bonapartista da Quinta república!

* Por um plano público para acabar com o desemprego e para desenvolver o país no interesse dos trabalhadores e dos pobres. Tal programa deve estar sob o controle dos sindicatos e que devem ser financiados pelos ricos!

* Por um governo dos trabalhadores baseado em assembleias de massa dos trabalhadores, imigrantes e jovens. Só esse tipo governo vai servir a nossa classe e não aos ricos!

* Construir um partido operário realmente revolucionário para combater o racismo e o capitalismo!

* Por uma nova, revolucionária Quinta Internacional!

Secretariado Internacional do CCRI


Para as nossas análises da luta de classes na Europa nós sugerimos aos leitores, entre outros, os seguintes documentos do CCRI:
* Crescente instabilidade e militarização da União Europeia. Sobre as tarefas dos revolucionários na nova fase política que se abriu na Europa após o ataque terrorista em Paris, 2015/12/08,http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/militarism-in-eu/
* Grã-Bretanha: greve geral para derrubar o governo Cameron! Por um governo operário! Para uma Assembléia Constituinte! Lutar contra o Parlamento corrupto, que está intimamente ligado com o grande negócio! Construir Assembléias dos Povos e comitês de ação para organizar a luta por todo o país! 2016/04/14,http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/bring-down-cameron/
* Crise e luta de classes na Irlanda depois da eleição geral, 2016/03/22, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/elections-ireland/
* Eleições gregas resultam em vitória para o Reformista SYRIZA. A tarefa central agora é se preparar para as próximas batalhas e forjar um novo partido dos trabalhadores com um programa revolucionário! 2015/09/22, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/syriza-victory/
* Abrir as portas da Europa para os Refugiados! Viva a Solidariedade Internacional dos Trabalhadores e pobres! Abaixo o Imperialismo fortaleza da UE! Avançar a Revolução Árabe para construir Trabalhadores e Camponeses Repúblicas! 2015/09/15, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/refugees-are-welcome/
* Perspectivas para o Luta de Classes na perspectiva do aprofundamento da crise na imperialista mundial Economia e Política. Teses sobre recentes desenvolvimentos importantes na situação mundial e perspectivas adiante (Janeiro de 2015), http://www.thecommunists.net/theory/world-situation-january-2015/
* O terror do Estado Islâmico-Daesh é o resultado do terror imperialista! Somos contra qualquer Estado de Emergência e repressão contra os povos muçulmanos na Europa!http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/terror-bruxelas/
* O Ataque Terrorista em Paris é o resultado do terror imperialista no Oriente Médio! http://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/terror-em-paris/

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment/ As Corruption Engulfs Brazil’s “Interim” President, Mask Has Fallen Off Protest Movement



 Reproduzimos abaixo o website www.theintercept.com / English version bellow

Fica claro que o movimentos golpista nunca foi contra a corrupção, mas a derrubada de um governo que já não servia mais aos interesses internacionais e da burguesia nacional.

Enquanto a corrupção assombra o Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

O IMPEACHMENT DA PRESIDENTE do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma.
 

Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso:


Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?

Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.

* * * * *

No mês passado, o primeiro brasileiro ganhador do Prêmio Pulitzer, o fotojornalista Mauricio Lima, denunciou o impeachment como um “golpe” com a TV Globo em seu centro. Ontem à noite, como convidado no show de Chelsea Handler no Netflix, o ator popular Wagner Moura denunciou isso em termos similares, dizendo que a cobertura da mídia nacional foi “extremamente limitada” porque “pertence a cinco famílias”.

Atualização: Logo depois da publicação deste artigo, foi anunciado que o presidente interino Temer acaba de perder seu terceiro ministro para a corrupção menos de dois meses depois da tomada do poder: dessa vez, seu ministro do turismo Henrique Eduardo Alves, acusado na delação premiada de Machado de receber R$ 1,5 milhão em propinas de 2008 a 2014. Quando se toma o poder antidemocraticamente usando a “corrupção” como pretexto, em geral é uma má ideia encher sua equipe de criminosos (e ter o próprio novo presidente envolvido em múltiplos escândalos de corrupção).




As Corruption Engulfs Brazil’s “Interim” President, Mask Has Fallen Off Protest Movement  

 https://theintercept.com/2016/06/16/as-corruption-engulfs-brazils-interim-president-mask-has-fallen-off-protest-movement/



 MOMENTUM FOR THE impeachment of Brazil’s democratically elected president, Dilma Rousseff, was initially driven by large, flamboyant street protests of citizens demanding her removal. Although Brazil’s dominant media endlessly glorified (and incited) these green-and-yellow-clad protests as an organic citizen movement, evidence recently emerged that protests groups were covertly funded by opposition parties. Still, there is no doubt that millions of Brazilians participated in marches demanding Rousseff’s ouster, claiming they were motivated by anger over her and her party’s corruption.
But from the start, there were all sorts of reasons to doubt this storyline and to see that these protesters were (for the most part) not opposed to corruption, but simply devoted to removing from power the center-left party that won four straight national elections. As international media outlets reported, data showed that the protesters were not representative of Brazilian society but rather were disproportionately white and rich: In other words, the same people who have long hated and voted against PT. As The Guardian put it in its description of the largest Rio protest: “The crowd was predominantly white, middle class and predisposed to supporting the opposition.” To be sure, many former PT supporters turned against Dilma — with good reason — and PT itself has indeed been rife with corruption. But the protests were largely composed of the same factions who have long opposed PT.
That’s why a photo — of a wealthy, white family at an anti-Dilma protest trailed by their black weekend nanny decked in the all-white uniform many rich Brazilians make their domestic servants wear — went viral: because it captured what these protests were. And while these protests rightly denounced the corruption scandals inside PT — and there are many — they largely ignored the right-wing politicians drowning in far worse corruption scandals than Dilma.
Plainly, these were not anti-corruption marches but rather anti-democracy marches: conducted by people whose political views are a minority and whose preferred politicians lose when elections determine who leads Brazil. And, as intended, the new government is now attempting to impose an agenda of austerity and privatization that would never be ratified if the population had any say (Dilma herself imposed austerity measures after her 2014 re-election, after running on a campaign against them).
After yesterday’s huge news from Brazil, the evidence that these protests were a sham is now overwhelming. An oil executive and ex-senator from the conservative opposition party PSDB, Sérgio Machado, testified as part of his plea bargain that Michel Temer — Brazil’s “interim” president who conspired to get rid of Dilma — demanded 1.5 million reals in illegal kickbacks for the São Paulo mayoral campaign of his party’s candidate (Temer denies this). This comes on top of multiple other corruption scandals in which Temer is implicated, as well as a court-imposed eight-year ban on his running for any office (including the one he now occupies) due to violations of campaign spending laws.
And that’s all independent of how two of Temer’s new ministers were forced to resign after recordings revealed they were conspiring to kill the corruption investigation in which they are targets, including one who was Temer’s anti-corruption minister and another — Romero Jucá, one of Temer’s closest allies in Brasília — who now has been accused by Machado of receiving many millions in bribes. In sum, the person whom Brazilian elites — in the name of “anti-corruption” — installed to replace the democratically elected president is choking on multiple, overwhelming scandals of corruption.
But yesterday’s bombshell extended far beyond Temer, engulfing numerous other politicians who have been leading the impeachment charge against Dilma. Perhaps most significant is Aécio Neves, the center-right PSDB candidate whom Dilma defeated in 2014 and who, as a senator, is a leading advocate of her impeachment. Machado testified that Aécio — who also had been previously implicated in the corruption scandal — received and controlled 1 million reals in illegal campaign donations. To describe Aécio as central to the protesters’ worldview is an understatement. For over a year, they popularized the phrase “It’s not my fault: I voted for Aécio”; they even made T-shirts and bumper stickers proudly proclaiming this:
Evidence of pervasive corruption among Brazil’s political class — not only PT but far beyond it — continues to emerge, now engulfing those who undemocratically seized power in the name of combating it. But ever since the lower House vote on Dilma’s impeachment, the protest movement has disappeared. For some reason, the “Vem Pra Rua” (come to the streets) contingent is not out in the streets demanding Temer’s impeachment, or Aécio’s removal, or Jucá’s imprisonment. Why is that? Where have they gone?
One searches their website and Facebook pages in vain for any denunciation, let alone protest organizing, aimed at the deep, pervasive corruption of the “interim” government or any of the numerous politicians not on the left. They are still promoting what they hope will be a massive march on July 31, but that centers around Dilma’s impeachment, not Temer or any opposition leaders who have proven to be deeply corrupt. Their purported anger over corruption seems to begin — and end — with Dilma and PT.
In this regard, this protest movement is indeed representative of impeachment itself: It used corruption as the pretext for the anti-democratic end it sought to achieve. Whatever else is true, any process that results in the empowerment of people like Michel Temer, Romero Jucá, and Aécio Neves had many goals; anti-corruption was never one of them.
Last month, Brazil’s first Pulitzer Prize winner, the photojournalist Mauricio Lima, denounced impeachment as a “coup” with the Globo TV network at its center. Last night, as a guest on Chelsea Handler’s Netflix show, Wagner Moura, arguably Brazil’s most popular actor, denounced it in similar terms, saying that domestic media coverage has been “extremely limited” because the Brazilian media “is owned by five families.”
UPDATE: Shortly after this article was published, it was announced that “interim” President Temer just lost his third minister to corruption in less than two months since he seized power: this time, this Tourism Minister Henrique Eduardo Alves, accused in Machado’s plea statement of receiving R$ 1.5 million in kickbacks from 2008 to 2014. If you’re going to take power undemocratically and use “corruption” as the pretext, it’s generally a bad idea to fill your new cabinet with criminals (and, for that matter, for the new president himself to be implicated in multiple layers of corruption).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

DECLARAÇAO CCRI (RCIT) ELEIÇOES NA ESPANHA

Trabalhadores, imigrantes e jovens: não confiem no programa reformista de esquerda das lideranças dos IU/Podemos! Organizar e mobilizar-se para uma luta nas ruas, nos locais de trabalho e em instituições de ensino!
Declaração da Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI), 08.06.2016, www.thecommunists.net 


1.             Novas eleições terão lugar na Espanha em 26 de junho, no contexto de uma profunda crise econômica e social. Depois de anos de recessão e estagnação, 21% da população e 45% (!) da juventude estão sem empregos, de acordo com números oficiais. Ao mesmo tempo, a dívida do estado burguês é enorme por causa de seus programas dispendiosos de socorro aos capitalistas dos bancos e corporações. De acordo com a OCDE, a dívida bruta do governo geral está em 117,4% do PIB do país.

2.             Como em outros países europeus, a burocracia reformista falhou terrivelmente com os trabalhadores e a juventude. O partido social-democrata-PSOE e as lideranças das duas federações sindicais principal, UGT e CCOO, concordaram em 2011 em um denominado "pacto social" – mais apropriadamente chamado de um "pacto antissocial" – que incluía o crescimento da idade oficial de aposentadoria de 65 para 67 anos.

3.             À luz desta traição da burocracia reformista, a resistência da classe trabalhadora e setores médios inferiores – em especial os jovens – manifestaram-se em vários movimentos de massa. Em 2011, o Estado espanhol testemunhou um tremendo movimento democrático ("Indignados"), envolvendo milhões de pessoas e nos anos subsequentes, foram organizados uma série de protestos contra os duros programas de austeridade do governo conservador do PP e aumento do desemprego. Entre eles aconteceu a greve dos mineiros das Astúrias de 2012 e a luta das comissões dos inquilinos contra os despejos forçados de suas casas.

4.             Um novo partido, “Podemos”, foi fundado em 2014 como uma expressão política destes protestos em massa. O partido organizou uma manifestação em massa em janeiro de 2015 pela a democracia e contra a austeridade e o neoliberalismo, no qual participaram mais de 100.000 pessoas. Apesar de sua relativa novidade, o Podemos já se tornou o segundo maior partido político no estado espanhol, em termos de adesão, com quase 400.000 membros. Ele concentra seus protestos contra o programa de austeridade do governo, contra a monarquia e o sistema político corrupto e defende o direito de autodeterminação nacional para o país basco, Catalunha, etc.

5.             O Podemos é um partido populista progressista, pequeno-burguês com uma liderança chefiada por Pablo Iglesias e fortemente orientado para um programa e organização do modelo Chavista. Sua base social é dominada pela juventude da baixa classe média empobrecida. No entanto, existe também um número significativo de trabalhadores entre seus defensores, como é atestado por um número de círculos (ramos locais do partido) nos distritos da classe trabalhadora nas grandes cidades. Cerca de 35% dos adeptos do movimento Podemos são tanto os desempregados como aqueles que tem apenas um contrato de prazo fixo. Além disso, o Podemos mantém relações estreitas com diversas organizações de base dos trabalhadores e a classe média baixa, tais comissões de enfermeiras e vítimas de despejos de apartamentos ou casas devido à crise das dívidas imobiliárias.

6.             Na última eleição em dezembro de 2015, o Podemos se tornou o terceiro maior partido no Parlamento, amealhando 20,7% dos votos, só por pouco chegando atrás do PSOE (22%). Nestas eleições, o ex-estalinista Izquierda Unida (IU) recebeu 3,7% dos votos. Em suma, o Podemos é outro exemplo importante ilustrando como, apesar da falta de autêntica liderança revolucionária, no contexto da crise histórica do capitalismo, a ligação dos partidos reformistas tradicionais e a radicalização de setores da classe trabalhadora e da juventude pode, a curto prazo, pelo menos, encontrar com êxito expressão em organizações não-revolucionárias.

7.             Não deve haver nenhuma dúvida que o Podemos, como um partido populista pequeno-burguês progressista populista, é uma formação instável, transitória. Seu caráter pequeno-burguês e a falta de ligações institucionalizadas com as organizações de massa estabelecidas tornam improvável que o caráter do movimento Podemos permanecerá é atualmente é a qualquer tempo significativo. Pelo contrário, é muito mais provável que o partido vai também mudar para a direita e, assim, perder muitos de seus membros ativos ou passará por uma divisão com um setor movendo-se mais para a esquerda. Uma divisão não está de nenhuma maneira fora de questão, dada as divisões que já existem entre a maioria atual em torno de Pablo Iglesias e algumas minorias dentro do partido, dois dos principais, sendo que atualmente é liderada pelos Mandelistas “Anticapitalistas" Teresa Rodríguez e Miguel Urbán e a outra que formaram em torno do intelectual pós-marxista e anti-globalização Íñigo Errejón.

8.             Há algumas semanas, o Podemos e Izquierda Unida concordaram em formar uma lista conjunta – chamada Unidos Podemos – para as próximas eleições de junho. De acordo com as pesquisas mais recentes antes da eleição, esta lista conjunta será o segundo partido mais forte – atrás do PP conservador e à frente do PSOE. A lista foi emitida com uma plataforma comum de 50 pontos chamada "Mudando a Espanha50 passos para governar juntos." Este é um programa reformista de esquerda Keynesiano, com foco no aumento das despesas públicas a fim de criar empregos e reduzir a pobreza. Ele promete combater a evasão fiscal e aumentar os impostos para os ricos. Ele chama para um fim dos despejos, garantia do acesso à água e eletricidade e maior financiamento para a educação e saúde. Eles também manifestam o seu apoio a um referendo para a independência da Catalunha, assim como com as reformas constitucionais (que iriam lidar com questões como a monarquia e a filiação à OTAN.

9.             Sob tais condições, os revolucionários na Espanha devem aplicar a tática da Marxista Frente Única não só para as lutas econômicas, mas no campo eleitoral também. Devem chamar por um apoio eleitoral crítico para o Unidos Podemos com base em que se tornou a expressão política da radicalização política da classe trabalhadora, da juventude e da baixa classe média. Devem exigir das lideranças do movimento Nós Podemos e IU que se oponham fortemente a todas as medidas de austeridade antidemocráticas no Parlamento e que eles mobilizem para lutas em massa nas ruas e nos locais de trabalho para as demandas que eles apresentaram em seu programa.

10.          Ao mesmo tempo os revolucionários devem advertir contra ilusões nas respectivas lideranças dos movimentos Podemos e IU. Esses líderes vão abandonar suas promessas eleitorais como fizeram seus camaradas do SYRIZA na Grécia. É urgente ajudar trabalhadores militantes e jovens apoiando IU ePodemos para que eles vejam através da natureza reformista desses partidos. O objetivo estratégico e altamente urgente na Espanha, bem como todos os outros países, é fazer com que os trabalhadores e a juventude rompam com reformismo e pela construção de um partido revolucionário – tanto internamente como em nível mundial!

11.          O Corrente Comunista Revolucionária Internacional propõe aos lutadores da nossa classe no estado na Espanha a construir um partido revolucionário em torno de um Programa de Transição, focado nas questões atuais de luta de classes. Eles devem defender a formação de comitês de ação para organizar os trabalhadores e a juventude na luta, bem como pela formação de um movimento de tropas militante em sindicatos a fim de expulsar a burocracia. Tal programa transitório deve incluir, entre outras, as seguintes exigências:

* Parar a ofensiva de austeridade! Não às demissões! Nenhum corte nos benefícios sociais e nos benefícios de desemprego! Por um programa de obras públicas para abolir o desemprego que seja pago por um enorme aumento de impostos para os ricos!

* Cancelar todas as dívidas imobiliárias! Ocupar todos os imóveis vazios e opor-se a todos os despejos! Organizar comitês de ação locais para defender os inquilinos e proprietários ameaçados de acusação e de despejo!

* Nacionalizar, sem compensação, os bancos e corporações e sob controle dos trabalhadores! Expropriar os super-ricos!

* Nacionalizar todas as empresas privadas que demitam trabalhadores, não dar nenhuma compensação e colocá-los sob controle dos trabalhadores!

* Abolir a monarquia e todos os privilégios da nobreza decadente! O Estado espanhol deve sair da Aliança da imperialista OTAN! Acabar com possessões coloniais do estado no norte da África (Melilla e Ceuta) e entregar ao Marrocos!

* Pelo ao direito de autodeterminação nacional para todas as nacionalidades oprimidas e discriminadas no estado espanhol! Por uma República Socialista da Catalunha e do País Basco!

Por uma assembleia constituinte revolucionária!

* Lutar contra o nacionalismo e o militarismo! Abrir as fronteiras aos refugiados! Igualdade de direitos para os migrantes! Igualdade de salários e direitos de cidadania plena! Igualdade para os imigrantes e as línguas das minorias nacionais na educação e na administração pública! Defender os imigrantes muçulmanos contra o racismo islamofóbico!

* Por um governo operário com base em conselhos de ação e milícias populares armadas!

Pelos Estados Unidos socialistas da Europa!



Secretariado Internacional



Para uma compreensão mais extensa da caracterização do CCRI da Tática da Marxista Frente Única nas eleições no presente período, sugerimos aos leitores:

* CCRI-Teses sobre a Tática da Frente Única. Teses sobre os princípios da Tática da Frente Única e sua aplicação às condições atuais da luta de classes, 9 de abril 2016,http://www.thecommunists.net/theory/united-front-tactic/

* Michael Pröbsting: O marxismo e a Tática da Frente Única hoje. A luta pela hegemonia proletária no movimento de libertação e a Tática da Frente Única hoje. Sobre a aplicação da Tática da Frente Única marxista em países semicoloniais e imperialistas no atual período, maio de 2016,http://www.thecommunists.net/theory/book-united-front/